Mercado do leite permanece estável
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sexta-feira, 16 de maio de 2008
Raquel de Carvalho<br> Reportagem Local 
Uma mudança tributária do governo paulista teve interferência no mercado de leite do Paraná. A medida, instituída para remunerar produtores de São Paulo, livrando-os do ICMS, prejudica a competitividade com o leite de outros estados. No caso do Paraná, os efeitos nos preços pagos ao produtor são imediatos, tendo em vista que cerca de 30% do leite paranaense serve o mercado paulista. No mercado interno, o ICMS do leite é de 8% e no interestadual, é de 12%. A evolução do preço de referência (definido pelo Conseleite), de R$ 0,5960 para R$ 0,5970 de abril para maio, também sofreu os efeitos do não crescimento do leite longa vida.
Segundo Ronei Volpi, presidente do Conseleite - conselho paritário de produtores e indústrias -, o mercado do leite está firme, embora os preços não tenham evoluído conforme o esperado. ''Não temos problemas de oferta, os preços estão firmes, mas não existe a euforia que muitos alardeiam'', diz. Volpi acredita na estabilidade do mercado, com a manutenção das exportações.
Produtores paranaenses vivenciam também problemas de toda a atividade agrícola no Brasil: alta de insumos. ''Os problemas que os produtores de soja e milho sentem nos afetam também'', afirma o presidente do Conseleite, lembrando que o setor teve que arcar ainda com aumento do sal mineral, que chegou a dobrar de preço. Outro fator preponderante, segundo ele, foi o reajuste salarial dos trabalhadores.
O preço começa a ficar defasado e preocupa produtores. Valdeir Martins produz, industrializa e distribui o leite na região de Londrina. ''Os R$ 1,30 que recebo pelo leite já não cobrem os custos de produção. Sofremos altas violentas de insumos: o sal mineral aumentou 120% (e deve subir mais 40% no próximo mês), a ração, 40%'', diz. Ele calcula que para cobrir custos de produção, o valor recebido pelos produtores que entregam o produto in natura hoje deveria ser de R$ 0,80.
Produtores e consumidores podem enfrentar mais uma vez problemas na entressafra, prevê Martins. Os primeiros sofrem com a má remuneração e os consumidores com os altos preços impostos pelos supermercadistas. ''Os donos dos supermercados brigam na hora definir o preço pago pelo produto no laticínio, mas aumentam a margem de lucro, culpando a entressafra'', critica.


