O baixo poder aquisitivo da população continua influenciando o consumo do leite e derivados no Paraná. O mercado trabalha com uma retração no consumo dos produtos. O reflexo chega até o produtor, que está recebendo menos pela matéria-prima.
O preço referência para o leite no Estado, divulgado esta semana pelo Conselho Paritário de Produtores e Indústrias de Leite do Estado do Paraná (Conseleite), voltou a registrar queda. A projeção para agosto previa a comercialização do leite padrão a R$ 0,4502, mas o valor final ficou em R$ 0,4446.
No entanto, para os ténicos do Conseleite, órgão que divulga mensalmente a cotação do preço referência para o leite, os preços de julho e agosto, apesar da queda de meio centavo, podem ser considerados como estáveis.
Segundo o professor José Roberto Canziani, que participa do órgão como representante da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o leite UHT (em caixinha) foi o único produto com registro de queda no preço, enquanto o pasteurizado se manteve. Já os queijos prato e mussarela e o doce de leite registraram alta no valor de venda.
Os preços projetados para setembro, diferente do que ocorreu nos dois últimos meses, prevêem valores ainda mais baixos: R$ 0,4404, especialmente no leite em caixinha. ''O principal fator desse baixo preço está na queda do consumo do leite longa vida e de 50% dos produtos derivados'', explica Canziani.
O produto envasado em caixinhas, de acordo com o professor, sofre com as dificuldades de negociação entre as grandes redes de supermercados e a indústria.
Quando há aumento na produção, o supermercado força o preço para baixo, pagando menos para a indústria. ''O leite é colocado em promoção para atrair consumidores para as lojas'', presume o professor. A indústria usa esse argumento como justificativa para alterar a remuneração da matéria-prima e o produtor recebe menos.
O desconto do leite, segundo Canziani, chega até o consumidor. Mas, em compensação, essa diferença é recuperada em outros produtos, como os queijos, ''com margens abusivas''.
Ele faz uma análise pelo valor referência da mussarela, determinado pelo Conseleite, que é de R$ 7,00/Kg. ''Há supermercados onde a margem de lucro é superior a 100%'', critica. Enquanto isso, o produtor continua recebendo o mesmo valor e não aumenta suas margens de ganho.
A queda nos ganhos, de acordo com o representante do Conseleite, atinge tanto o produtor quanto a indústria. ''A lucratividade é pequena e há muitos que estão trabalhando com margens negativas''. O período é, na sugestão do professor, propício para que os envolvidos na cadeia avaliem sua eficiência na produção. ''É preciso reduzir o custo, racionalizar despesas e planejar os investimentos da propriedade e da indústria''.
A melhora para o setor está intimamente ligada ao aumento na renda da população. ''O Governo Federal sinaliza a redução nos juros e outras ações voltadas à população. Eu acredito em melhorias, crises não são eternas'', finaliza.

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