Mercado do couro sob os reflexos da crise
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009
<br> Reportagem Local 
Reportagem Local
As exportações brasileiras de couros registraram US$ 588,62 milhões nos sete meses do ano, queda de 52%, em relação ao mesmo período de 2008, segundo dados elaborados pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), com base no balanço da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A despeito das dificuldades enfrentadas no período, o balanço de julho das vendas externas de couros de maior valor agregado em relação ao mês anterior aponta um crescimento de 5% nos embarques físicos e de 4% na receita apurada.
Sem dúvida, a crise mundial segue afetando negativamente as exportações do couro brasileiro, analisa o presidente do CICB, Luiz Bittencourt. O executivo cita outros fatores, além da crise econômica, como as altas taxas de juros, excessiva burocracia, precariedade do sistema de infra-estrutura, mas, principalmente, falta de capital de giro para as empresas do setor.
Neste cenário, o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil continua alertando as autoridades governamentais para a importância da adoção de medidas de apoio e que amenizem as consequências da falta de demanda do couro brasileiro no exterior, como as que estão sendo implementadas para a indústria da carne.
È fundamental que o governo apóie a indústria do couro com medidas como a criação de linhas de créditos para capital de giro (Banco do Brasil e BNDES), adequação de prazos e encargos de ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio), além de agilização nos ressarcimentos de créditos de exportação e autorização da compensação automática de créditos fiscais, salienta o presidente do CICB.
Segundo o executivo, a indústria brasileira do couro adotou e continua adotando medidas para se adaptar a este período de forte instabilidade no mercado. Uma das principais ferramentas para manter a competitividade do setor é o convênio que o CICB firmou com a ApexBrasil - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, para reforçar a imagem e as vendas do couro brasileiro no mercado internacional. A indústria do couro movimentou US$ 1,8 bilhão, em 2008, contribuindo em 7% para o saldo da balança comercial brasileira.
Principais destinos
Até julho, os principais destinos do couro brasileiro foram a China e Hong Kong, ambos com US$ 217 milhões (36,87% de participação); Itália, com US$ 133,31 milhões (22,65% de participação); Estados Unidos, US$ 47,32 milhões (8%), Vietnã, com US$ 24,50 milhões (4,16%), México, US$ 19,96 milhões (3,4%) e Alemanha, com US$ 15,10 milhões (2,57%). No acumulado dos sete meses de 2009, a Índia aumentou suas compras (10%), somando US$ 6,36 milhões. Já o Paraguai continuou sendo um dos mercados de maior crescimento (467%), adquirindo US$ 1,34 milhão. O CICB é uma entidade federativa que representa, há 52 anos, cerca de 800 empresas de produção e processamento de couro. O complexo industrial emprega cerca de 50 mil pessoas, movimenta um PIB estimado em US$ 3,5 bilhões e recolheu impostos da ordem de US$ 1 bilhão em 2008.


