O mercado do boi gordo segue firme daqui para frente. Embora tenha dado uma recuada no final de maio de R$ 53 para R$ 52, essa baixa foi induzida, e o valor deverá voltar aos R$ 53. A informação é do zootecnista Fabiano Tito Rosa, da Scot Consultoria.
Pela oferta de mercado, segundo Fabiano Rosa, o preço não teria como recuar. Muitos frigoríficos preferiram reduzir abates, adotando escalas curtas. Algumas indústrias trabalharam nos últimos dias com apenas 50% de sua capacidade porque não estavam tendo resposta do mercado de carne e couros, bastante frouxos no período.
O mercado também é influenciado pelo clima. O frio, em muitas regiões do País, também está tirando o comprador de boi magro do mercado. A demanda diminuiu bastante também para animais de desmama.
Nas últimas três semanas de maio e na primeira semana de junho o recuo de preços foi de 4%. Só nesta última semana o percentual somou 2,5%. O bezerro no Paraná, por exemplo, que estava com cotação superior a várias praças chegou perto dos níveis de preços praticados em São Paulo e Minas Gerais.
O preço médio da desmama está em R$ 386,00. O recuo mudou a relação de troca do boi gordo pelos animais mais jovens e hoje essa relação está 3% pior do que o pratico no mercado de São Paulo. ''O poder de compra do invernista de São Paulo está 3% superior ao do Paraná,'' garante Fabiano Rosa.
Em São Paulo, segundo ele, a relação de troca está em 2,28 e no Paraná em 2,22 (para bezerros desmamados).
Fabiano Tito acredita que o mercado deverá continuar com preços estáveis para os animais mais erados e, no caso dos mais novos, a tendência é de queda em função da época do ano, do frio e da chuva.
''Tem gente apostando que o bezerro desmamado, no médio prazo, deverá ficar em R$ 350,'' revela o analista. Mesmo com tendência de recuo é preciso esperar pela demanda, avisa Fabiano Tito.
O normal do período que antecede o inverno e durante toda a estação da seca é acontecer mesmo um recuo de preços. A demanda por animais mais jovens cai em função da falta de pastos de qualidade para alimentar bezerros e animais magros, que precisam de uma dieta de mais qualidade já que estão em fase de desenvolvimento. A vantagem é para quem compra e depende da melhora na relação de troca do boi gordo.
Em comparação com o ano passado o poder de compra do invernista está 9,4% superior este ano, garante Fabiano Rosa. Em 2002 a relação de troca no mesmo período era de 2,03 e hoje está em 2,22. Mesmo assim, a relação de troca do Paraná ainda é a mais baixa de todo o País.
Pico em outubro O prognóstico para aumento da arroba do boi no pico da entressafra continua. Um estudo da Scot Consultoria, com análise dos últimos 10 anos, com base no mercado paulista entre os meses de maio a outubro (pico de preços da entressafra) indica valorização de 18% na cotação o que indica uma arroba acima dos R$ 63.
''Estamos apostando num valor entre R$ 63 a R$ 65,'' afirma Fabiano Tito. No caso do Paraná, segundo ele, há sempre uma defasagem de R$ 2 em relação ao mercado paulista. ''Se tudo correr bem; a exportações crescerem, o dólar voltar para a casa dos R$ 3,20/3,30 e o mercado interno não piorar o consumo, essa valorização deverá se concretizar.''
A previsão de um inverno com extremos de temperatura, influenciando a situação dos pastos; a redução de áreas de pastos com ocupação da agricultura; o alto custo do pasto de inverno e da comida para confinamento, mais a falta de alternativas de resíduos para suplementar animais colaboram para menor oferta no mercado. Menor oferta, preço melhor e valorização dos bois prontos para o abate.
No Paraná produtos como laranja e mandioca, que têm resíduos destinados à alimentação animal, terão área menor em função da seca. Fala-se da falta de opção para suplementar os animais.
De olho na falta Prevendo falta de animais prontos para abate na entressafra e reação nos preços da arroba, quem puder desembolsar mais dinheiro com alimento vai apostar no confinamento.
Está previsto crescimento de 5% no confinamento em todo o País este ano, avisa Fabiano Tito. Segundo ele, todos os grandes frigoríficos têm confinamentos e já se programaram para o período. Muitos com 50 mil bois a confinar. O pequeno confinador, no entanto, vai ter que trabalhar com alimentos caros para manter os animais. A queda na cotação do milho pode ajudar, acredita Fabiano Rosa.
A estimativa, no total, é de 1,5 milhão de cabeças confinadas em todo o Brasil. O volume, no entanto, segundo o analista, não é suficiente para atender a demanda do mercado por seis meses, que também é atendido pelos animais em semiconfinamento e os mantidos em pasto diferido.

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