Mercado depende da aftosa
Uma missão norte-americana virá ao Brasil em julho para conversar sobre a importação da carne brasileira in natura. Hoje aquele mercado só compra carne enlatada do Brasil. A informação foi dada pelo do Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Roberto Rodrigues, durante a 10 Agrishow, que aconteceu na semana passada em Ribeirão Preto (SP).
O ministro disse que esta será uma primeira etapa para a abertura do mercado americano à ''carne verde'' do Brasil. ''Depois teremos que ir cumprindo as exigências burocráticas dos EUA, mas acredito que em março de 2004 possamos começar a definir aspectos mais concretos das exportações, como quotas e outros itens,'' afirmou.
O aumento da exportação da carne brasileira, segundo o ministro, não só para os EUA, mas também para outros mercados potenciais, deverá sair das regiões consideradas áreas livres de febre aftosa com vacinação. Uma das exigências para a liberação de novos mercados, ressaltou Rodrigues, é provar, que não há vírus da doença nos rebanhos.
O Governo está negociando um empréstimo junto ao Banco Mundial para atender de forma definitiva o controle da doença nas fronteiras do Brasil com o Paraguai e a Bolívia, onde aconteceram problemas recentemente. Ele lembrou que o Governo doou um milhão de doses da vacina contra a doença para o Paraguai e 500 mil doses para a Bolívia, além de assinar um termo de cooperação envolvendo os ministros paraguaio e boliviano.
Rodrigues alertou, no entanto, que somente a doação de vacinas para controle nas áreas de fronteiras não garante a sanidade e não dá segurança necessária ao Brasil. É preciso que os pecuaristas respeitem as campanhas e imunizem seus rebanhos também no Brasil.
O País está em plena campanha de vacinação, iniciada no dia 1º, em 13 Estados mais o Distrito Federal. A estimativa do Ministério da Agricultura é que cerca de 110 milhões de bovinos e bubalinos sejam imunizados.
Serão vacinados 8,6 milhões de animais no Mato Grosso, com idade abaixo de 24 meses; 10,6 milhões no Mato Grosso do Sul, animais também com idade abaixo de 24 meses, e 10,9 milhões em Minas Gerais, no Circuito Pecuário Centro-Oeste.
Nos outros Estados a vacinação será em todo o rebanho: 1,6 milhão no Acre, 4,5 milhões no Maranhão, 13,7 milhões no Pará, 1,8 milhão no Piauí, 8 milhões em Rondônia, 100 mil no Distrito Federal, 19,6 milhões em Goiás, 9,7 milhões no Paraná, 755 mil em Sergipe, 13,5 milhões em São Paulo e 6,8 milhões em Tocantins.
A campanha de vacinação integra o Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa (PNEFA) do Ministério da Agricultura, que prevê a eliminação da doença em todo o território nacional até dezembro de 2005.
Atualmente, o Brasil utiliza a vacina trivalente contra os vírus O, A e C, que será utilizada no País até que se tenham levantamentos sorológicos completos de identificação dos vírus existentes prevalentes na Bolívia e nos outros países fronteiriços.
A decisão foi tomada pelas lideranças dos setores oficiais e privados do Brasil, durante a última reunião da Comissão Sul-Americana de Luta contra a Febre Aftosa (Cosalfa), realizada em março, em Santiago do Chile, e visa ampliar a segurança contra eventual reintrodução de vírus no Brasil.
A cadeia produtiva da carne, segundo dados do Ministério, é hoje a segunda mais importante do agronegócio brasileiro, atrás apenas da soja. O setor deverá produzir este ano 7,5 milhões de toneladas de carne, das quais 6,4 milhões destinadas ao mercado interno e 1,1 bilhão para a exportação. A previsão é de que as vendas externas fiquem entre US$ 1,25 a US$ 1,3 bilhão este ano, contra US$ 1,1 em 2002.





