Mercado de ovos ganha espaço no Paraná
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Ricardo Maia <br> Reportagem local
Branco ou vermelho, o ovo vem perdendo o estigma de alimento nocivo à saúde e começa a ampliar sua participação no mercado de proteína animal. Hoje, o consumo nacional per capta gira em torno de 148 ovos por habitante/ano. Esse número, de acordo com a Associação Brasileira de Avicultura (Ubabef), ainda é considerado baixo se comparado a outros países, a exemplo do México. Lá, cada habitante chega a consumir 350 ovos por ano.
Mesmo com o índice de consumo baixo se comparado a outros países, Francisco Turra, presidente da Ubabef, revela que o setor está em expansão. ''Temos um caminho extenso a percorrer. Para que o setor cresça ainda mais, precisamos fomentar o consumo'', analisa. O Paraná, que é responsável por 7% da produção brasileira de ovos, ficando somente atrás de São Paulo (35,6%) e Minas Gerais (11,5%), é um dos mercados que está apostanto na atividade.
Dados da Associação Paranaense de Avicultura (Apavi) revelam que, há cinco anos, o Estado tinha um plantel de 55 milhões de aves de postura. Hoje, afirma o presidente da entidade, Arnaldo Cortez, o número de animais alojados passou para 80 milhões. Cortez aponta que o Paraná tem grandes polos de produção. Em volume, segundo ele, as regiões de Arapongas e Mandaguari são as líderes do setor. Já em número de produtores, os municípios de Cruzeiro do Sul e Nova Esperança conquistam a liderança.
Cortez pondera que mesmo com esses polos de produção e um crescimento expressivo do mercado paranaense nos últimos anos, ainda não é o suficiente para conquistar o mercado externo, um dos objetivos do Paraná. ''O Estado exporta apenas 5% de sua produção de ovos. Para termos condições de ampliarmos a nossa participação, é necessário aumentarmos a oferta'', analisa.
Hoje existem poucas granjas paranaenses aptas a exportação. Porém, avalia Cortez, há muitas interessadas em vender para o mercado externo. Oscar Hawashida, sócio da granja Araovos de Arapongas, é um deles. Com um plantel poedeiro de 900 mil aves, a granja tem uma produção diária que varia de 600 mil a 700 mil ovos. ''Mesmo sendo alta, precisamos aumentar a produção se quisermos vender para o exterior'', explica.
Hawashida ambiciona para o final de 2012, exportar 20% de sua produção. ''Só estamos esperando o mercado se consolidar para investirmos. Os atuais preços não estão atrativos'', completa. Entretanto, Hawashida pondera que não apostará toda as suas ''fichas'' no mercado externo. Para ele, exportação é somente mais uma fonte de renda. ''O produtor precisa diversificar''. Hawashida aponta que o mercado interno ainda é o foco de sua granja. Porém, para Cortez, presidente da Apavi, o futuro do setor está no mercado externo. ''O Brasil é um dos únicos países com a capacidade de exportar ovos. Temos que explorar esse nicho de mercado'', completa.
Hoje, o País é o sétimo maior exportador do setor. Só no primeiro semestre desse ano, dos mais de 20 bilhões de ovos produzidos, 483 milhões foram destinados ao mercado externo. O volume, de acordo com o levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi 337 milhões de unidades inferior ao mesmo período do ano passado.