Mercado de orquídeas é promissor
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sexta-feira, 07 de setembro de 2001
Carolina Avansini 
O mercado de orquídeas movimenta U$20 bilhões por ano em nível mundial e R$1,3 bilhão no mercado interno. Apesar do volume de recursos, os produtores brasileiros exportam apenas U$13 milhões a cada 12 meses, enquanto a Colômbia, que possui condições de produção parecidas, atinge comercialização de U$560 milhões.
Os números divulgados pelo professor Ricardo Faria, da disciplina de paisagismo e floricultura do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), evidenciam que o Brasil não explora todo o potencial da atividade. ''É um mercado promissor, porém pouco valorizado pelos brasileiros'', opinou Faria.
As novidades e oportunidades desse segmento estarão expostas em Londrina no 1º Festival de Orquídeas, que se realiza no Shopping Quintino até 16 de setembro. O evento é organizado pelo Círculo Norte Paranaense de Orquidófilos, UEL e administração do shopping. Durante a feira, produtores paulistas estarão vendendo flores a partir de R$4,99.
Investimento Segundo Faria, a produção de orquídeas permite agregar valor às pequenas propriedades, pois não exige grandes espaços. O investimento inicial para instalar estufas capazes de produzir cinco mil flores/ano é R$ 6mil, o que permite obter rendimento de R$25 mil anuais. O valor comercial das plantas varia de R$1 a R$150.
Ele lembrou que o surgimento de tecnolgias de reprodução de orquídeas em laboratório facilitou a produção das flores em escala comercial. A UEL, por exemplo, desenvolve pesquisas visando obter melhoramento genético, preservação de nativas, aprimoramento das técnicas de cultivo em estufa e clonagem. Atualmente, a universidade possui cerca de 20 espécies em pesquisa.
Entre as variedades disponíveis, ele destaca as mini-orquídeas das famílias Oncidium e Maxillaria. As flores do tipo Miltonia, Catasetum e Cattleya, acrescentou, também costumam atrair a atenção dos consumidores.
Reprodução A reprodução artificial pode ser feita por sementes ou pelo meristema. No primeiro caso, colocam-se as sementes em um meio nutritivo composto por macronutrientes, micronutrientes, vitamina e ágar. Em seis meses, a muda ficará pronta para ser levada à estufa, onde será cultivada para comercialização.
De acordo com o professor, cada cápsula da orquídea produz um milhão de sementes, mas apenas 1% a 2% germinam naturalmente. ''Em laboratório, é possível obter 100% de germinação'', disse, lembrando que a vantagem da técnica é a obtenção de grande quantidade de mudas em um pequeno espaço. A reprodução por sementes também é utilizada para preservação de espécies nativas e obtenção de híbridas mais resistentes e com cores diferenciadas.
Conhecida como clonagem, a técnica de reprodução por meristema consiste em multiplicar as plantas através da cultura de tecidos. ''Dessa forma, é possível produzir uma planta geneticamente idêntica à matriz''. informou. O Brasil possui 3,5 mil variedades de orquídeas, montante que corresponde a 10% do total de 35 mil espécies naturais atualmente conhecidas em todo o mundo.
Dicas de cultivo A produção de orquídeas não exige manejo complicado, mas o sucesso da empreitada depende de alguns cuidados. Ricardo ensinou que a rega necessita ser moderada e que é recomendável colocar a planta em um vaso com vários furos para drenagem.
Com relação à adubação, ele orientou aplicar uma colher de café de torta de mamona e farinha de osso, na proporção de um para um, no canto do vaso a cada seis meses.''O fósforo dos ossos estimula a produção de flores e o nitrogênio da mamona é favorável ao crescimento da planta.'' No cultivo caseiro, o segredo para garantir o florescimento é manter o vaso na luz indireta, imitando a copa de uma árvore.
ServiçoO Festival de Orquídeas se realiza de 6 a 16 de setembro, das 10 às 22 horas, no Shopping Quintino (Quintino Bocaiúva,812), com entrada franca. Hoje, dia 8, o professor Ricardo Faria ministrará um curso sobre cultivo e propagação de orquídeas, das 16 às 18 horas, no próprio Shopping. As inscrições custam R$ 10 e podem ser feitas no local. A UEL também ministra cursos sobre o assunto periodicamente. Informações pelo telefone (43) 328-2400.


