Mercado cafeeiro sob efeito de iminente conflito no Golfo
O mercado cafeeiro viveu esta semana uma nova fase de instabilidade, agora em função da possibilidade de guerra no Oriente Médio. De terça a quinta-feira, foram registradas perdas entre R$ 5,00 e R$ 8,00 por saca em relação à segunda-feira, quando o produto foi comercializado a R$ 185,00 a saca. O mercado espera uma definição sobre o comportamento das commodities agrícolas em geral, diante de uma reação do dólar e do preço do petróleo. O gráfico mostra as oscilações nas praças do Norte do Paraná.
Segundo o corretor Marcos Bacceti, de Londrina, as causas estão no momento especulativo vivido nas bolsas e na tensão no mercado em relação ao conflito no Oriente Médio. Bacceti afirma, no entanto, que em situações mundiais semelhantes vividas em épocas passadas, o café não chegou a sofrer quedas grandes de preço. ''Talvez por esta razão, em caso de dúvida, quem tem o produto prefere adiar as vendas'', segundo outros corretores.
Bacceti afirma também que o café é uma commodity que canaliza grande número de investidores, assim como açúcar, soja, milho, que buscam maior segurança. ''Em situação de guerra oferecem mais segurança de liquidez de mercado''.
Para Bacceti, com base nas experiências anteriores, a tendência é um quadro sem grandes quedas de preço para o café. ''O mercado está em compasso de espera em função da possibilidade da guerra, em que a lógica de mercado nem sempre é a variável determinante de preços. Momentaneamente pode ter um ou dois dias de impacto, mas se estabiliza. Em outras situações semelhantes este foi o comportamento, a não ser que desta vez seja atípico''.
Apesar de preocupados com o mercado, os cafeicultores, segundo Bacceti, estão animados com a projeção de uma ótima safra para este ano no Paraná. O clima está especialmente bom, com chuvas e calor intensos. A qualidade também deve ser das melhores dos últimos anos.
Exportação - O Brasil assumiu no ano passado a primeira posição nas exportações de café moído e torrado. Essas vendas aumentam o valor agregado, mas ainda representam pouco em relação às exportações de grãos verdes, segundo dados do Conselho Nacional de Política Cafeeira.
Dados do Secex mostram que o país obteve divisas de US$ 5,4 milhões no ano passado, 21% mais do que em 2001, ao exportar 83,1 mil sacas. Um programa de exportação da Apex e do Sindicafé poderá elevar as exportações para US$ 100 milhões até 2006.





