Mercado brasileiro dobra em dez safras
Apesar das preocupações com a produção de sementes no Estado, o volume nacional praticamente dobrou nas últimas dez safras. De acordo com o engenheiro agrônomo da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) Paulo Eduardo de Campante Santos, em artigo publicado pela Agroanalysis, a produção de sementes saltou de 1,6 milhão de toneladas, em 2001, para mais de 3 milhões de toneladas na safra 2012/13. O mercado brasileiro perde apenas para Estados Unidos e China.
As principais sementes produzidas, segundo o levantamento, são de soja, com 1,4 milhão de toneladas, e de milho, com 323 mil toneladas, movimentando mais da metade do valor do mercado interno brasileiro, que gira em torno de US$ 4 bilhões.
Ano após ano, empresas privadas e órgãos de pesquisa lançam novas variedades para atender as necessidades do produtor. Porém, até uma semente se tornar comercialmente viável, o caminho é longo. Segundo o pesquisador da área de melhoramento genético da Embrapa Soja José Ubirajara Vieira Moreira, o trabalho dura, em média, dez anos.
Entre 2013 e 2014, a Embrapa Soja, por exemplo, lançou ao mercado pelo menos seis novas sementes da oleaginosa, com diversas características e abrangendo todo o território nacional. "Dentre diversas demandas, os produtores procuram cultivares com ciclo precoce, para plantio no cedo, maior produtividade, arquiteturas de planta que facilitem a pulverização e também plantas com maior resistência ao acamamento", relata o pesquisador.
Como o trabalho acontece ao longo de uma década, Moreira explica que é preciso pensar em demandas futuras, e não apenas o que está ocorrendo nas lavouras da atualidade. "Hoje, aqui na Embrapa, temos uma certa preocupação, por exemplo, com ferrugem asiática, pois estamos vendo muitos produtos perdendo seu efeito sobre a doença e por isso estamos buscando essa resistência", relata.
Pensando agora do lado do multiplicador, o pesquisador explica que eles devem ter diversos cuidados para desenvolver sementes em sua propriedade. "É preciso um produto com alta qualidade fisiológica, além de alto vigor e germinação. Também é necessário uma nutrição até mais elevada que o recomendado, e rigoroso controle de pragas e doenças." E a atenção não para por aí: na colheita, o foco é para que não ocorra danos mecânicos com o grão, inclusive no beneficiamento. (V.L.)





