O mercado brasileiro de saúde animal movimentou cerca de R$ 7,5 bilhões em 2023, incluindo medicamentos, vacinas e produtos genéricos para animais de produção e de companhia. Segundo a Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de produtos para animais de estimação), o segmento de medicamentos responde por cerca de 6º% desse total.

A crescente regulamentação no uso de antibióticos direciona a cadeia de animais de produção para alternativas como vacinas, probióticos e biológicos para alavancar o mercado.

No Paraná, o volume de vendas de medicamentos para animais de produção gira em torno de R$ 700 milhões a R$ 900 milhões, com grande consumo de antimicrobianos e vacinas, principalmente para aves, suínos e bovinos.

O mercado de bovinos no Brasil e na América Latina é um dos principais mercados da Dechra, farmacêutica britânica com unidade em Londrina. Representa 38% do faturamento da empresa na América Latina, e a farmacêutica projeta crescimento para os próximos anos, principalmente no Brasil e no Paraná.

Desde fevereiro, a filial de Londrina figura como hub das operações da fabricante na América Latina e foi responsável por 66% do faturamento na América Latina, uma vez que fechou o ano fiscal de 2025 com faturamento de R$ 294 milhões.

“A integração do Brasil aos negócios continentais, inclusive o México, permitiu importantes ganhos para a companhia e otimização de recursos, a exemplo da força de vendas. São esforços que já podemos ver refletidos nos números”, afirma Jesper Nordengaard, CEO global da empresa, em visita à filial de Londrina.

Segundo ele, a companhia pretende crescer em toda a América Latina no segmento de animais de produção. Atualmente, a farmacêutica conta com operação própria no Brasil e no México, além de presença com parceiros comerciais no Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia, Equador, Peru, Colômbia, Venezuela e mais alguns países na América Central. “Para 2026, as vendas externas devem ter um incremento acima de 30%”, diz André Paleari, diretor para a América Latina.

Paleari afirma que parte do crescimento para o próximo ano fiscal virá do lançamento de novos produtos nas duas áreas consideradas estratégicas – pets e equinos. “Mas os indicadores positivos não se limitam a essas duas divisões e devem-se à soma de esforços implementados desde a aquisição da unidade brasileira (Londrina), em 2018. Nos últimos sete anos, investimos na melhoria da efetividade e capacitação da equipe de vendas, além de reforçar as ações envolvendo nosso time técnico”, acrescenta Paleari.

A farmacêutica faz suspense sobre os novos produtos, mas afirma que está de olho nas necessidades do mercado, principalmente no que diz respeito ao manejo sanitário. Um dos carros-chefes da companhia é a vacina para prevenção e controle de clostridiose em animais.

No segmento de animais de produção, a farmacêutica produz medicamentos para bovinos, equinos e suínos. “Quando a gente olha para o mercado de produção, esses mercados de suínos e bovinos especificamente pedem soluções no manejo sanitário para aumentar a sanidade do rebanho e, diretamente, influenciando na produção animal, no ganho de peso, na produção de leite, na produção de carne. Então, basicamente, o manejo sanitário, o foco em manejo sanitário é o core business”, explica Nordengaard.

Nordengaard é um entusiasta da inteligência artificial e já vem implementado a tecnologia nas unidades da companhia. “Sou muito apaixonada por IA, não acho que a IA vai roubar os empregos do nosso pessoal. Acho que as pessoas que são boas em IA vão roubar nossos empregos, então é melhor sermos bons nisso”, comenta.

Ele acredita que há oportunidades para terceirização dos serviços para a tecnologia, para que os funcionários possam se concentrar em outras áreas. “Já temos várias iniciativas em andamento na empresa, uma delas, claro, está muito relacionada à análise de vendas”, diz o CEO.

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