Mercado aquecido incentiva produção
Alheios à discussão sobre a venda de terras para estrangeiros, produtores de florestas plantadas do Norte Pioneiro aproveitam o conforto oferecido pelo mercado aquecido e escolhem com quem comercializar as florestas.
Dono de quatro hectares (ha) de eucalipto em São Jerônimo da Serra, o técnico agrícola José Sérgio Pereira cultiva a madeira para abastecer a propriedade e comercializa o excedente com serrarias da região. ''Financiei uma pequena parte com compromisso de entrega em uma grande empresa para obter as mudas, mas prefiro negociar em livre mercado. Os pequenos produtores que fazem contratos utilizam a melhor área de cultivo, deixam de produzir alimentos e, quando vão vender o eucalipto, descobrem que não compensa'', disse.
Pereira espera obter uma renda de até R$ 27 mil na área, a cada seis anos, o que daria uma renda anual de R$ 4,6 mil. ''É uma opção para diversificar a pequena propriedade'', considerou.
Com uma área de aproximadamente 72 hectares de eucalipto, Roberto Rocha Filho, de Sapopema, confirma que, mesmo em grandes áreas, a venda da ''floresta em pé'' para serrarias é mais compensadora. ''Nos negócios com as grandes empresas, o produtor tem custo com frete e mão de obra. Vale mais a pena vender para as serrarias, que ainda pagam antecipadamente.''
Para o presidente do Sindicato Rural Patronal de Sapopema, Marcos Vinícius Rocha, a presença de empresas estrangeiras em regiões produtoras de eucalipto nem sempre traz vantagens para o município. ''As grandes firmas trazem mão de obra própria, contratada por empreitada, e o dinheiro gerado não fica na cidade '', avaliou.
Produtor de eucalipto em 90 hectares, ele também prefere comercializar com as madeireiras da cidade. ''Elas pagam melhor'', explicou, lembrando que as multinacionais compram, na região, apenas o produto que o mercado não absorve. ''É um setor que funciona por conta própria.''
Outro mercado para o eucalipto produzido pelos agricultores são as fábricas de móveis. A lenha, segundo o presidente, é vendida para indústrias cerâmicas e os resíduos, conhecidos como ''cavaco'', são utilizados como combustível. ''Do eucalipto, se aproveita tudo.''
Mercado de terras
Alex Lopes da Silva, consultor da Scot Consultoria, analisou que a grande demanda mundial pela produção de alimentos tem incentivado o interesse de investidores em imóveis rurais. ''É um ativo cada vez mais importante'', disse.
Por isso, a limitação da presença de estrangeiros nesse mercado deve favorecer o investidor brasileiro através da redução da especulação. ''Os estrangeiros têm muito mais acesso a recursos e financiamentos. Fica difícil para os brasileiros competirem.''
Para o consultor, a menor presença de investimentos de outros países não deve prejudicar o setor de florestas plantadas. ''Se o mercado for atraente, o investidor nacional vai tomar a frente e atender a demanda'', opinou.





