Mercado ampliado a longo prazo
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sexta-feira, 02 de junho de 2000
Cláudia Barberato De Londrina 
A Europa já compra carne bovina de alguns frigoríficos do Circuito Pecuário do Centro-Oeste, no qual o Paraná está incluído. O grande objetivo do trabalho pela certificação junto à Organização Internacional de Epizootias (OIE), conseguido no dia 24 de maio, é ampliar as exportações da carne brasileira no mercado europeu e, mais que isso, conquistar os mercados americano e japonês. O Estado vende também para Israel, Ásia, África do Sul, Caribe, entre outros.
A OIE certificou o Centro-Oeste como área livre de aftosa com vacinação, mas isso não quer dizer que, a curto prazo, o mercado exportador dos Estados que compõem o circuito seja ampliado, especialmente para Estados Unidos e Japão.
Mercados a conquistarOs Estados Unidos e o Japão não compram carne de países ou regiões onde a doença não esteja erradicada, e os rebanhos precisem de vacinação (caso do Paraná e dos outros Estados do Circuito Centro-Oeste São Paulo, Distrito Federal, partes de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso).
Será preciso trabalhar agora pela certificação da OIE como área livre de aftosa sem vacinação (caso do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que já entraram com um pedido ao órgão internacional, para julgar o assunto.)
Maior credibilidadePecuaristas, industriais e técnicos da cadeia produtiva da carne bovina acreditam que essa certificação possa dar aos Estados do Circuito Centro-Oeste uma maior credibilidade nos outros países da União Européia que ainda não importam a carne brasileira, e ampliar a quantidade do que já é exportado para a Europa.
Para manter ou ampliar as exportações, é preciso continuar o trabalho de controle sanitário do rebanho. As indústrias também terão que fazer seus investimentos em modernização, o que não é fácil já que demanda altos investimentos.
Para exportarSegundo o chefe do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal, da Delegacia do Ministério da Agricultura em Curitiba, Juarez Deconto, existe uma legislação internacional que habilita a indústria para exportação. Cada país comprador tem suas exigências.
Essas exigências englobam estruturas específicas na construção da indústria, normas de higiene, mão-de-obra especializada e conhecimento de mercado, desde o processo de abate, tipos de corte, entre outros.
Paraná tem habilitaçãoO Paraná tem três frigoríficos habilitados para exportação aos países da União Européia: o Naviraí e o Paissandu, de Maringá; e o Brasil Novo, de Paranavaí.
Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Carne do Paraná (Sindicarne), Péricles Salazar, esses frigoríficos já vendem carne bovina e miúdos para alguns países da União Européia e Ásia, numa média de 700 a 800 toneladas por mês. A curto prazo este volume não será aumentado, prevê Salazar.
De acordo com Salazar, o reconhecimento representa apenas a queda de uma barreira sanitária; poderão vir outras. Além disso, agora, se estabelece uma corrida comercial por mercados. A conquista será para quem apresentar maior agressividade comercial e souber explorar nichos.
Suínos tambémNo caso de carne suína, o Frigorífico Paissandu, de Maringá, através da Palmali Industrial de Alimentos, tem vendido partes do porco para a Argentina e Hong kong. Com o reconhecimento do Paraná pela OIE este mercado poderá ser ampliado. A aftosa também sempre foi uma barreira sanitária para venda de carne suína.
De acordo com o gerente de exportação do Paissandu, Luis Fernando Carrion, com o reconhecimento da OIE, as maiores beneficiados por enquanto, no Paraná, deverão ser as indústrias de carne suína, como Sadia, Batavo, Sudcoop e a própria Palmali.
As indústrias poderão exportar para a Argentina, que até agora comprava apenas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (zonas livres de aftosa com vacinação). Outro mercado é o da Ásia, especialmente o de Hong Kong; pouca coisa para o Caribe e a África do Sul.
A Palmali já vende de 300 a 400 toneladas mensais de porco para Hong Kong, mas tem capacidade de exportar 600 toneladas/mês. Agora deverá trabalhar pelo mercado argentino. A Argentina compra duas partes do suíno (paleta e pernil) que nenhum outro país compra. O pernil é a matéria-prima do presunto, que tem alto consumo pelos argentinos.
O Paissandu exporta também traseiro de carne bovina in natura para a Europa. São 200 toneladas mensais. O dianteiro, quando a indústria estiver habilitada, deverá ser vendido para Israel. Por enquanto, é vendido no mercado interno.
A marca Naviraí, do Frigrofício Naviraí, de Maringá, está há 10 anos no mercado. A indústria vende 90% de sua produção de carne bovina para a Europa e 10% para Hong Kong, na Ásia.
Para a Europa é vendido o traseiro. O dianteiro bovino vai para Israel e Egito, que são mercados mais tradicionais no consumo desse tipo de carne. A marca Naviraí movimenta hoje US$3 milhões/mês com a venda de 700 toneladas.
Segundo o diretor de exportação da indústria, João Martins Rodrigues, agora os pecuaristas poderão trabalhar na padrozinação dos rebanhos, produzindo animais com idade de dois anos e meio e peso de 260 quilos, que é o que o mercado internacional está pedindo.
Maior credibilidadeA certificação, segundo Rodrigues, faz parte de um processo de ampliação de mercado, mas não representará a abertura de exportação para países como Estados Unidos e Japão, mais exigentes em termos sanitários para a compra de carne.
Hoje o Brasil pode vender apenas carne cozida e congelada para os Estados Unidos, mas o interessante é vender o produto in natura. A Europa já aceita a carne do Paraná e por isso não deverá alterar esse mercado que já está consolidado. A certificação poderá trazer maior credibilidade ao nosso produto.
Rodrigues prevê que o mercado deverá ampliar-se num prazo de dois a três anos, quando o Estado estiver, sim, declarado livre de aftosa sem vacinação. Assim estaremos habilidados para entrar nos mercados dos Estados Unidos e do Japão.
Mais recente no mercado, o frigrífico Brasil Novo, de Paranavaí, está exportando uma média de 50 toneladas-mês para Inglaterra, Itália e Alemanha, na Europa e Hong Kong, na Ásia, há um ano. Para o mercado europeu é vendida carne bovina in natura e o mercado asiático consome os miúdos do boi.
José Roberto Milhorine, do setor de vendas do frigorífico, também não acredita numa reação imediata no mercado exportador. Mas está otimista quanto ao mercado no ano que vem, com possibilidade de aumentar suas vendas para outros países da Europa. Com os Estados Unidos será uma outra conversa.
Trabalho continuaÉ importante lembrar que a certificação foi para zona livre com vacinação e não poderá haver descuidos, especialmente no caso daquelas propriedades que fazem fronteiras com Estados ou países onde ainda existem problemas problemas sanitários nos rebanhos.


