‘‘Lucro só deve vir a partir da terceira colheita’’, diz Luís Antônio dos Reis, de Bela Vista do ParaísoEm 1995, no último levantamento feito pela Emater, 757 agricultores tinham plantado acerola no Paraná. No total, a área ocupada era de 901 hectares. As regiões de Apucarana, Cornélio Procópio, Campo Mourão, Maringá, Londrina, Paranavaí, Santo Antônio da Platina, Toledo e Umuarama estão entre as maiores produtoras.
Do último levantamento da Emater para cá muita coisa mudou. Em Londrina e Cambé, por exemplo, existiam em torno de 30 produtores de acerola. Cada um plantou mil mudas. Cada muda custou R$ 1,00. ‘‘O combinado foi que a metade seria paga no momento da entrega e a outra parcela durante a safra’’, lembra Alcino Fávaro, dono do Sítio São Sebastião, localizado em Cambé.
Como os outros produtores da região, Alcino Fávaro também comprou mil mudas de acerola. Ele pagou, adiantado, R$ 0,50 por muda. Isso foi em 95. ‘‘Já arranquei 600 pés de acerola’’, conta Alcino Fávaro. ‘‘Arranquei e muitos outros agricultores daqui também estão arrancando as acerolas porque nós não temos para quem vender a produção’’, explica Fávaro. O motivo é que o vendedor das mudas desistiu do negócio.
ExpectativaEm Bela Vista do Paraíso são 27 produtores de acerola, com 37 mil pés plantados. O veterinário Antônio Aparecido Reis, dono da Fazenda Água Clara e da Estância Nascente, plantou seis mil pés. O primo dele, Luis Antônio dos Reis, da Fazenda Cachoeirinha, plantou dois mil pés no final do ano de 94.
Fotos: Marcos BorgesO agricultor Alcino Fávaro, de Cambé, plantou mil pés de acerola, mas, desanimado com a comercialização, já arrancou 600 pés
‘‘Fazemos parte de um projeto integrado’’, contam Luís Antônio e Antônio Aparecido dos Reis. Luis Antônio diz que o acordo que ele e os outros 26 produtores de Bela Vista do Paraíso fizeram com uma empresa de Rolândia foi para pagar as mudas em produção.
Pela parceria, na primeira safra o agricultor comprometeu-se a pagar dois quilos da fruta por muda recebida - na segunda safra, mais dois quilos de acerola por planta. ‘‘A grande colheita nossa vai ser este ano’’, espera Luís Antônio dos Reis.
A acerola é uma fruta perecível. Colhida madura, se não for consumida ou congelada em no máximo 48 horas a fruta apodrece. O combinado entre os agricultores de Bela Vista e a empresa de Rolândia é colher os frutos ainda verdes. Luís Antônio dos Reis diz que, atualmente, o quilo da acerola está sendo comercializada a R$ 0,30 o quilo. O bóia-fria ganha R$ 0,10 por quilo colhido.
Cada pé de acerola produz, por safra, 20 quilos. Os dois mil pés plantados por Luís Antônio dos Reis ocupam um alqueire da Fazenda Cachoeirinha. O veterinário Antônio Aparecido dos Reis diz que é a partir da terceira safra que o produtor começa a ganhar dinheiro com a acerola. Ele faz as contas e argumenta que, no primeiro ano, o agricultor investe R$ 640,71 para plantar um hectare de acerola. No segundo ano, esse investimento sobe para R$ 2.195,08.
Ainda segundo os cálculos de Aparecido dos Reis, de um hectare o agricultor consegue, no primeiro ano, colher 4.165 quilos de acerola, que serão vendidos a R$ 0,30 o quilo, o que dá R$ 1.249,50. Como ele gastou R$ 2.195,08, na produção, terá um prejuízo de R$ 945,58.
Já no terceiro ano, o produtor vai gastar R$ 3.126,08 para produzir um hectare, vai vender 12.495 quilos de acerola e terá um lucro líquido de R$ 622,42. A partir do quarto ano, o lucro líquido do agricultor será de mais de R$ 2.200,00 por hectare, segundo o veterinário Antônio Aparecido dos Reis.

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