Mercado acusa alta nos hortifruti
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de fevereiro de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O sol voltou a brilhar no Paraná, mas as chuvas contínuas que atingiram boa parte do Estado devem criar pressão sobre os preços dos hortifrutigranjeiros nos próximos dias. As áreas mais atingidas pelo mau tempo se concentram no Norte Pioneiro, parte dos Campos Gerais, em Curitiba e no Litoral. O consumidor deverá sentir diferença de valor principalmente no tomate, cebola, beterraba e folhosas. Já para o produtor o período será uma oportunidade de conquistar preços melhores, considerados muito baixos atualmente.
De acordo com o engenheiro agrônomo José Américo Righetto, da Emater, os efeitos da chuva já estão sendo observados. ''Qualquer coisa em excesso, como estiagem ou chuva, provoca perdas. No caso da estiagem, o agricultor pode se defender com a irrigação, mas a chuva costuma causar grande estragos'', observou.
Righetto disse que as raízes das plantas não podem ficar mais do que dois ou três dias abaixo da água, porque já ficam com aparência muito feia, apodrecem ou desenvolvem doenças. ''Se o aspecto não está bom não tem como vender, e se as verduras ou raízes estão danificadas, terá que ir tudo para o lixo, diminuindo a oferta e impactando no preço'', afirmou.
Em Morretes, grande produtor de frutas e verduras, as perdas por causa das enchentes do final de semana passada foram grandes. Até quinta-feira à tarde ainda não havia o levantamento completo, mas o prefeito, Helder Teófilo dos Santos (PMDB), disse que o prejuízo foi maior do que o avaliado no primeiro momento.
O gerente da Divisão Técnica Econômica da Ceasa em Curitiba, Gerson Luiz Ferreira de Souza, afirmou que os produtos comercializados no local ainda não apresentaram variação significativa. Na verdade, comparando os preços dos 23 produtos mais negociados na central praticados em 27 de janeiro com os de 20 de janeiro, houve pequena queda, de -0,09%, fazendo uma média ponderada. Oito itens permaneceram com o preço estável, cinco sofreram aumento e dez tiveram redução.
''Ainda não houve problemas, mas se o tempo permanecer instável, com certeza haverá aumento de preço, especialmente nos produtos que ficam embaixo da terra, como batata, cebola e beterraba'', relatou Souza. Segundo ele, a alta de alguns produtos deveria acontecer ainda ontem e seria inevitável, mesmo com a oferta de produtos de outras regiões que não sofreram tanto com as chuvas. ''Como o preço dos combustíveis subiu muito, os produtos que recebemos de fora vêm acrescidos de um valor de frete muito alto'', explicou.


