Mercado aberto, mas vigilância é permanente
O certificado internacional conquistado pelo Paraná, assim como pelos demais Estados do Centro-Oeste Brasileiro, para exportação à Europa de carne bovina resfriada, é apenas a vitória no primeiro combate de uma batalha permanente. Isto porque, de agora em diante, o Paraná não poderá conviver com nenhum foco de febre aftosa. Se isto acontecer, terá seu reconhecimento internacional suspenso até comprovar tecnicamente estar livre da doença. E isto demandaria meses ou anos.
No Estado, há cinco anos não ocorre um só caso de aftosa. Para chegar a esta condição sanitária favorável, Governo do Estado e Faep desenvolvem verdadeiro mutirão. Enquanto o Estado contratou dezenas de técnicos, tendo inclusive que alterar a legislação que impedia a admissão de novos funcionários, a Faep foi a campo num trabalho de conscientização, envolvendo sindicatos rurais, cooperativas e associações do segmento. Por isso o índice de vacinação voluntária do rebanho de 9 milhões de bovinos atinge 96 por cento. Os 4% por cento restantes são imunizados mediante ação fiscal e demais medidas duras. Afinal, o que está em jogo é o destino da pecuária de corte paranaense.
Sem o jeitinhoÁgide Meneguette, presidente da Faep, deixa claro: Não existe o chamado jeitinho brasileiro quando se trata de mercado internacional. Ainda mais quando nossos compradores são países do Primeiro Mundo. Ou o mercado é profissional ou fica de fora. Não tem meio termo.
A demonstração desse rigor técnico-científico ficou clara no episódio do reconhecimento, pela Organização Internacional de Epizootias, do Paraná como Estado livre de aftosa, porém com vacinação. Os paranaenses tiveram que provar laboratorialmente que a bactéria não mais estava presente no rebanho estadual. Mais do que isto: as análises receberam o rigoroso julgamento da OIE, que assim age porque atende aos interesses de exigentes consumidores do Primeiro Mundo. Se a aftosa causa em torno de 25% de queda na produção de carne e leite do animal contaminado, isto não quer dizer absolutamente nada aos compradores do Primeiro Mundo. Eles, na prática, não aceitam consumir carnes contaminadas pela doença, porque esta se transfere ao organismo humano. E isto é mais do que suficiente para os europeus, assim como japoneses, canadenses e norte-americanos, só comprarem carne bovina de regiões das quais a aftosa esteja comprovadamente erradicada.
No caso paranaense, serão necessários mais dois anos sem nenhum foco da doença para o Estado receber o certificado nacional de área livre da aftosa sem vacinação. Todo cuidado é pouco e haja competência para contornar o problema, caso venha a ocorrer. O Japão, depois de 60 anos, enfrentou surto de aftosa em seu pequeno rebanho. Em questão de dias, os japoneses erradicaram a doença, comprovando junto à OIE a sua competência também nesta área.
Aqui em Paris, na sede da OIE, prevalecem decisões rigorosamente científicas. Tanto que o reconhecimento obtido pelo Paraná foi aprovado pelos 156 países que a integram. Não houve um só pedido de vistas do processo porque, de forma unânime, os delegados reconheceram ser o Paraná um Estado diferente de quase todos os demais. À boca pequena, os delegados comentavam: O Paraná nem parece estar no Brasil...(L.C. R.)





