Menos milho na próxima safra
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sexta-feira, 03 de outubro de 2008
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O aumento dos custos de produção aliado à queda dos preços irá reduzir a área plantada de milho. Estimativas iniciais apontam uma queda média de 5% no plantio do grão em todo o País e superior a 8% no Paraná. Produtores estão sendo atraídos pela soja - principal concorrente do milho na safra verão - que oferece maior rentabilidade. Por enquanto, os números de queda de produção não são alarmantes porque a colheita estimada ainda é suficiente para atender a demanda nacional.
''Esta redução (da área) é importante, mas ainda não alarmante se a safrinha for boa'', avalia Paulo Molinari, consultor da Safras e Mercados (instituto privado de análises do agronegócio). Segundo ele, a produção estadual da safra verão está estimada em cerca de 8 milhões de toneladas, enquanto a safrinha tem potencial produtivo variável entre 5 milhões e 6 milhões de toneladas. ''É o suficiente para atender nossa demanda, mas tudo vai depender de dois fatores: clima e fluxo de exportações'', observa.
Mesma avaliação faz a engenheira agrônoma Margorete Demarchi, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento. Segundo ela, a redução de área nesta safra é até benéfica e pode ser compensada pela safrinha. O milho cedeu área, principalmente, para a soja e o feijão. O grão vai ganhar 1,4% de área plantada, enquanto a leguminosa, 19%. ''Os preços definem a opção dos produtores (de plantio) e, hoje, todos têm muitas informações para isso'', observa.
Para Paulo Molinari o aumento do custo dos fertilizantes - que dobrou - aliado à queda da cotação do grão foi determinante para a tomada de decisões dos produtores. Outro fator que contribuiu para a redução do plantio de milho foi a rotação de culturas, manejo adotado pelos agricultores para preservação do solo. O plantio de milho definido pelo zoneamento agrícola teve início em agosto e se estende até o próximo mês; já o plantio de soja começa em outubro.
A redução de plantio não deve estimular o aumento da cotação da commodity. ''O topo de preços altos já foi. A tendência é que a cotação continue neste patamar (na casa dos R$ 17 a saca de 60 quilos) no mercado interno'', comenta Margorete Demarchi. Já na Bolsa de Chicago os preços seguem firmes, puxados pela demanda do etanol. A atual cotação é três vezes maior do que a média histórica. ''O problema foi que perdemos exportações no primeiro semestre deste ano porque muitos acreditaram que o preço iria subir mais, mas não foi isso que aconteceu'', observa Paulo Molinari.
Ele acrescenta que naquele período a tonelada do grão chegou a ser comercializada por US$ 300, enquanto atualmente está na casa dos US$ 200/t. ''O Brasil não soube aproveitar a demanda do período'', diz.


