Trabalhando com estufa, a família Kasuya, de Londrina, não teve perda com as chuvas do início do ano
Trabalhando com estufa, a família Kasuya, de Londrina, não teve perda com as chuvas do início do ano | Foto: Saulo Ohara



Se por um lado as chuvas auxiliaram o desenvolvimento vegetativo das culturas de soja e milho neste início de ano no Paraná, na olericultura – que trabalha com ciclos rápidos e demanda constante o ano todo – a situação está bem complicada, tanto para os produtores como, claro, os consumidores. Basta uma rápida visita nas gôndolas dos supermercados para perceber que os valores dos produtos dispararam absurdamente. Em alguns casos, ultrapassam os 300%.

Além disso, a maioria dos produtos estão mirrados devido à falta de luminosidade natural e, claro, as chuvas intensas que dificultaram que os produtores tomassem medidas preventivas nas lavouras, incluindo a aplicação de defensivos. O consumidor que aprecia uma bela salada passou aperto nos últimos dois meses e deve continuar assim até fevereiro.

De acordo com o departamento de Agrometeorologia do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), as chuvas no Estado até o dia 22 de janeiro já haviam ultrapassado 333 milímetros (mm), 26% a mais do que todo o mesmo período do ano passado (264,5 mm). Em dezembro de 2017, as precipitações fecharam em 286 mm, elevação de 88,1% frente aos 152 mm de 2016. A previsão é que durante o mês de fevereiro as chuvas sejam menos frequentes e a produção se normalize na segunda quinzena do mês, após o Carnaval.

Tradicional produtor de olerícolas na região de Londrina com mais de 20 produtos na Ceasa diariamente, Eliel Silva salienta que teve uma vida complicada entre dezembro e janeiro. "Tenho duas estufas, mas 98% do que faço é no campo e não consegui atender a demanda. Faz mais de 30 anos que sou produtor e nunca vi uma chuva como essa, ininterrupta. Minha produção caiu de três toneladas para 200 quilos por semana. Esta semana a chuva deu uma trégua e voltei a preparar a terra (para um novo ciclo)."

Ele cita que uma das maiores dificuldades é passar os defensivos preventivos para controlar a doença. Assim, as plantas vão apodrecendo no pé. "A rúcula sai de R$ 10 para R$ 30 a duzia. O alface de R$ 10 para R$ 25 a caixa. A couve flor, de R$ 15 para R$ 50 a duzia. Não tem jeito. Mas agora acredito que as coisas vão se normalizando aos poucos."

Do limão, uma limonada
Para quem trabalha com estufas, apesar do problema de luminosidade - que influencia na velocidade do ciclo e tamanho dos produtos – existe uma tranquilidade maior para trabalhar. Na Usina 3 Bocas, a família Kasuya aproveitou este momento de baixa oferta e demanda aquecida para olerícolas.

A Akko Saladas, pertencente aos Kasuya, viu sua demanda aumentar 20% com as chuvas, já que os produtores tradicionais não conseguiram atender os consumidores da região. O momento é interessante para a empresa, que trabalha com um sistema de comercialização diferente, direcionando 90% da sua produção para o consumidor final. "Tivemos uma dificuldade de menor crescimento das plantas devido à falta de luminosidade, mas sem perdas", explica o produtor Helder Kasuya.

Em média a produção na propriedade de cinco hectares com 25 estufas fica em 7,5 mil pés por semana. "Se eu não tivesse essas estufas, acredito que meu prejuízo médio já estaria em torno de R$ 25 mil", calcula.

Atualmente, os Kasuya possuem em torno de 3,5 mil clientes que recebem os pacotes de saladas com média de 100 gramas em casa, o que totaliza aproximadamente 5 mil pacotes. "Para atender essa logística, trabalhamos com uma equipe de 11 funcionários na propriedade e mais 7 entregadores."

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