Menos cebola na roça maior preço no mercado
Produtores de cebola do Paraná, cuja área de cultivo se concentra no sul do estado, esperam bons ganhos nesta safra. A oferta desta vez será menor, em função da diminuição da área plantada no país e da quebra da produção por causa de adversidades climáticas. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), os 6.620 hectares (ha) cultivados vão render 96.275 toneladas (t) de bulbos. Na safra anterior, os 6.740 ha produziram 114.660 t.
Segundo o técnico do Deral, apesar de a área paranaense não ter tido redução significativa, a produção foi menor, por causa da estiagem de julho a outubro. Mas o mercado no Paraná sente reflexos da cultura em outras regiões. Preços ruins no ano anterior provocaram diminuição da área em estados produtores, que também enfrentaram problemas climáticos. Enquanto no Paraná houve estiagem, o Rio Grande do Sul, por exemplo, teve excesso de chuva.
Cebolicultores demonstram amadurecimento e evolução não somente na adoção de tecnologias mas também no processo de comercialização. Tanto que a venda da produção está mais lenta este ano, como atesta o técnico de Deral, Maurício Lunardon. ''Os produtores sabem que atualmente o mercado nacional está sendo abastecido basicamente pelos estados do sul e que a oferta está menor que nos anos anteriores'', afirma o técnico na avaliação feita no site do Deral. Isto, segundo ele, confirma uma tendência de alta.
O produtor José Airton Cosmos, conhecido como Airton Ito, de Irati, afirma que o preço, considerado bom, poderá subir nos próximos 15 dias quando haverá diminuição da oferta. Atualmente o quilo da cebola sem classificação está entre R$ 0,75 a R$ 0,80; a caixa 3 (com bulbo de 65 milímetros de diâmetro) alcança R$ 0,90 e a caixa 2 (com 50 milímetros de diâmetro) chega a R$ 0,60. Cosmos estima que o produtor poderá receber valor entre R$ 1,40 a R$ 1,50 nas próximas semanas.
De acordo com Lunardon, as condições da última safra resultaram na melhoria dos preços ao produtor. ''No auge da oferta, o produtor chegou a receber R$ 10,00 pela saca (de 20 quilos), bem acima do custo de podução, que fica em torno de R$ 6,50'', diz. A melhor remuneração, como ressalta o técnico, acontece porque o produtor atualmente se informa sobre o comportamento do mercado e não vende a produção por qualquer preço.
A safra paranaense será comercializada até o mês de março. Depois disso entra no mercado a cebola argentina, o que acarretará um aumento do preço ao consumidor. A partir de agosto, o brasileiro passa a consumir o produto dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
Cosmos é um dos produtores que decidiram diminuir a área, em função de perdas da safra anterior. Em 2006, plantou 60 hectares e colheu 43 toneladas/ha, quando a previsão era de 50 t. Neste ano, cultivou 50 hectares e teve produtividade de 35 toneladas/ha - o esperado era colher entre 48 e 50 toneladas. ''No ano passado choveu demais na colheita. Desta vez, a perda foi provocada pela estiagem de julho até o dia 25 de outubro'', relata.
O Deral confirma a queda na produtividade no estado. Segundo o departamento, o rendimento médio das lavouras foi de 14.540 kg/ha, enquanto no ano passado foi 17.000 kg/ha. A estiagem prolongada prejudicou muitos produtores que não dispunham de sistema de irrigação.





