Segundo técnicos do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná a produção da safra de verão do milho deverá somar 7,1 milhão de toneladas, 24,2% menor do que a obtida na safra anterior que foi 9,5 milhões de toneladas. A menor produção é um reflexo na redução da área cultivada, segundo a agrônoma Vera Zardo do Deral. ‘‘Mas na produtividade o clima está ajudando e deveremos alcançar os mesmos 5 mil/kg/ha.
A área da safra de verão do milho ficou em 1,5 milhão de hectares, 17% a menos do que no ano passado quando foram plantados 1,87 milhão de ha. Um dos motivos da redução de área e produção foi a perspectiva de excelentes preços para a soja 2001/2002, concorrente do milho no plantio de verão. No ano passado, segundo Vera, houve super produção na safra de verão do milho e o produtor encontrou dificuldades na comercialização do produto que ficou com preços bem abaixo do esperado.
Estímulo para a safrinha
A redução da área na safra de milho desse verão deverá refletir um quadro muito ‘‘ajustado’’ de oferta do produto e a possibilidade da falta no segundo semestre em algumas regiões do País. O resultado deverá ser a ampliação da área de milho safrinha que é plantado após a colheita da soja (fevereiro/março).
Com a redução nas áreas de verão não só no Paraná, mas em todo o País, o Governo está apostando na safrinha para suprir uma possível falta no segundo semestre. No Paraná, embora os técnicos do Deral ainda não tenham estimativas para a área da safrinha, sabe-se que em muitas regiões os produtores fizeram esse ano o plantio da soja precoce pensando no plantio do milho fora de época. ‘‘O produtor deve ter consciência de que é uma lavoura de maior risco,’’ alerta a agrônoma. No ano passado a safrinha sofreu com problemas climáticos e teve produtividade reduzida mas a super safra de verão serviu para somar uma boa produção total do milho no Estado.
No ano passado o Paraná, somando a safra normal e a safrinha (que é plantada após a colheita da soja), produziu 12,5 milhões de toneladas, permanecendo como o primeiro produtor de milho do Brasil, responsável em 2001 por 30% da produção nacional.
Se o clima ajudar durante a safrinha desse ano, segundo Vera, a perspectiva ‘‘extra-oficial’’ é que o Paraná chegue a uma produção total de 11 milhões de toneladas de milho, o que poderá abastecer o consumo interno. O Paraná é auto-suficiente em milho e exportador para outros Estados. Na última safra também tornou-se um exportador e vendeu cerca de 5,6 milhões de toneladas.
Dados da Conab de janeiro indicavam a estimativa de um crescimento de 35% em área de safrinha a ser cultivada esse ano no País, passando de 2,25 milhões de hectares cultivados no ano passado para 3 milhões de hectares esse ano. O Paraná somou uma área de 947 hectares de safrinha no ano passado e uma produção de 2,8 milhões de toneladas. A produção poderia ter sido maior e ultrapassar 3 mihões de toneladas mas as lavouras foram atingidas por problemas climáticos e tiveram produtividade menor.
Preços melhores
O agricultor que plantou a soja precoce pensando em plantar a safrinha de milho, especialmente nas regiões norte, oeste e centro-oeste do Paraná, localidades onde já há preferência pelo milho ao invés do trigo no inverno está acreditando na sustentação dos preços do milho durante o ano.
Além de plantar a safrinha para consumo próprio esses produtores estão pensando na venda do produto para outros Estados, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina onde foi registrado quebra de produção do milho castigado pela seca.
Hoje os preços giram em média, segundo Vera Zardo, em torno de 10,33 para o produtor. Os números de menor produção no Sul do País podem dar sustentação a esse preço, mesmo com a entrada da safra, ou até ampliar. No ano passado nos meses de colheita da safra normal os preços giraram em torno de R$ 7, com rentabilidade negativa para muitos produtores, principalmente para os que não têm boa produtividade.

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