Menor oferta de semente para 98
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sexta-feira, 13 de março de 1998
Cristina Côrtes 
ArquivoOtimismoIwao Miyamoto acredita no crescimento da produção de sementes para a próxima safraA oferta de sementes de trigo para esta safra não permitirá uma ampliação da área de plantio, mesmo com o empenho do governo Federal em estimular o crescimento da produção de trigo no País. Tanto no Paraná, maior Estado produtor, como no Rio Grande do Sul, que vem em segundo lugar, a disponilidade de sementes é menor do que no ano passado.
No Paraná, segundo informações do presidente da Associação Brasileira de Produtores de Sementes (Abrasem), Iwao Miyamoto, estão prontos para comercialização 2 milhões e 600 mil sacas, e o Rio Grande Sul dispõe de 1 milhão e 400 mil sacas, pouco mais da metade da produção paranaense. A quantidade de sementes do Paraná será suficiente para manter a mesma área cultivada no ano passado, em torno de 900 a 950 mil hectares.
A procura por sementes ainda é pequena. Apenas 10% foram comercializados até agora, e se espera para o final de março o pico da comercialização. Os agricultores ainda estão envolvidos com a colheita de soja, que está em pleno andamento, e devem tomar a decisão do plantio de inverno mais no final deste mês, comenta Iwao.
Segundo dados da Associação Paranaense de Produtores de Sementes (Apasem), os produtores terão à disposição um total de 17 variedades, 15 do grupo superior, uma do grupo comum e uma do grupo intermediário.
QuebraSegundo Miyamoto a quebra na produção de sementes, estimada pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento em 3 milhões l00 mil sacas, foi provocada pela seleção e beneficiamente dos grãos. Os dados que chegam até a Seab são números brutos passados pelos produtores. Depois do beneficiamento, há naturalmente uma quebra, explica Miyamoto.
Para Eugênio Bohatch, diretor-executivo da Associação Paranaense de Produtores de Sementes (Apasem), existem outros fatores que também contribuíram para esta redução, como o índice de germinação na espiga, e falta de recursos de EGF em tempo hábil, o que obrigou os produtores de sementes a comercializarem sua produção com a indústria.
No Rio Grande do Sul, houve uma quebra de 30%, e uma outra parte foi vendida para a Argentina, que comprou sementes não para plantar, mas para fornecimento à indústria de biscoitos, o que contribuiu para reduzir ainda mais a oferta aos produtores gaúchos.
O preço da saca de 50 quilos de semente está variando entre R$18,00 para variedades gerais até 30 de abril, e R$25,00 para variedades especiais. Iwao Miyamoto disse que o produtor pode encontrar preços mais baratos, mas o pagamento é à vista.
IncentivoO governo Federal, através do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, quer que se amplie a área de trigo no País. Atualmente o Brasil produz apenas um terço da sua necessidade de consumo.
Na semana passada foi realizado em Curitiba um seminário sobre trigo que reuniu pesquisadores do Paraná e Rio grande do Sul; produtores de sementes, técnicos do governo, e outros setores para discutirem a possibilidade de aumento da produção de trigo brasileiro. Até a Abitrigo, que representa os moinhos está preocupada com a produção interna.
Ficamos surpresos com a posição da Abitrigo, porque a associação sempre esteve ausente destas discussões. Agora também tem interesse no crescimento da área plantada, porque antes acabava importando o grão e não tinha concorrentes na farinha. Com a entrada da farinha importada, a situação se modificou, comenta Miyamoto.
Na reunião os produtores demonstraram preocupações com as novas normas, mas o governo garantiu que não haverá grandes modificações e que o crédito chegará a tempo para o plantio. Dia 27 o Conselho Monetário Nacional (CMN) reúne-se e vota as normas. Um dos questionamentos dos produtores é porque foram definidos recursos para o milho e nada ainda para o trigo. Segundo os técnicos do governo o custeio do milho faz parte da prorrogação do custeio de verão, mas as normas do trigo fazem parte do custeio da safra de inverno, e dependem de aprovação no CMN.
Miyamoto analisa que depois daquela reunião, tudo indica que será necessário aumentar a produção de sementes para a próxima safra, para poder viabilizar o aumento da área plantada. A produção quase exclusiva do trigo tipo superior, no Brasil, também foi discutida na reunião. Existe um mercado comprador de trigo intermediário que está tendo dificuldade de encontrar o produto. Uma boa parte da indústria precisa deste tipo de trigo. De maneira geral, sentimos uma forte disposição e vontade do governo em promover um significativo crescimento de área de trigo no País, finaliza Miyamoto.


