Meninas super-poderosas
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sexta-feira, 07 de março de 2008
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Uma boa dose de protetor solar no rosto, braços e mãos. Depois, o corretivo para disfarçar as olheiras e o toque final do rímel e do gloss, sem se esquecer do perfume. As irmãs Graziele, 22, e Suelen Pontello, 20, estão prontas para mais um dia de trabalho. Essa rotina de cuidados pessoais não seria nenhuma novidade para um batalhão de mulheres vaidosas esparramadas por todos os cantos. A pequena diferença é que as duas belas moças partem para o trabalho na fazenda da família, em Ubiratã, e, agora, período de colheita e plantio, assumem a direção de colheitadeiras, tratores e caminhões sem perder na habilidade para nenhum dos funcionários.
''A gente faz praticamente de tudo. Só não passa veneno'', resume a caçula dizendo que, além do cultivo de grãos, a família lida também com pecuária. O gosto pelo trabalho no campo, na avaliação de Graziele e Suelen, está no fato de terem morado no sítio a maior parte de suas vidas. ''Quando éramos crianças andar na colheitadeira era motivo de diversão'', recordam.
A iniciação foi dada pelo pai, quando as meninas tinham 11 anos e desde os 15 o trabalho na propriedade entrou, definitivamente, na rotina diária. Com uma convicção surpreendente, as moças destacam o gosto pelo que fazem e a responsabilidade em dar continuidade ao patrimônio que vem sendo construído pelo pai. ''Não dá para deixar tudo para nosso pai e muito menos contar apenas com funcionários. Temos que cuidar do que é nosso'', completa Graziele.
O trabalho no campo não as impede de levar uma vida normal como qualquer jovem de suas idades. As irmãs Pontello vão a baladas, namoram, saem com os amigos, participam de grupos do mundo virtual, como o Orkut e MSN . ''Menos em tempos de colheita quando tem muito trabalho no sítio. Os namorados, se não quiserem ficar longe, vêm nos encontrar aqui'', diz Suelen, admitindo que causam surpresa entre quem as conhece.
As duas estão também na faculdade, Graziele cursa o primeiro ano de Pedagogia e Suelen está no segundo de Administração de Empresas. ''É só para garantir mais uma atividade, afinal conhecimento nunca é demais'', dizem, apesar da certeza de que jamais vão exercer essas profissões.
As meninas não deixam de lado também os cursos da área de agronegócio. ''Já fiz os cursos do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) sobre operação e manutenção de colheitadeiras, além de outros voltados ao gerencimento da propriedade e da produção'', lista Graziele.


