Menina dos olhos do Brasil
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Os produtores de cana-de-açúcar estão rindo à toa. Com a crise do petróleo e a busca por novas matrizes energéticas menos poluentes, o álcool surge como salvador da pátria para os brasileiros. ''A cana hoje é um mercado de US$ 300 milhões/ano'', anuncia o agrônomo Luiz Traldi, diretor de planejamento estratégico da Milenia, indústria de agroquímicos de Londrina.
O mercado para os próximos 10 anos é bastante otimista. A estimativa do setor é ocupar 8 milhões de hectares com cana em todo o País. Hoje são cultivados 5,4 milhões de hectares. ''A área destinada à cana tem crescido, em média, 400 mil hectares/ano'', afirma. Segundo o agrônomo Aledino Carminate, diretor comercial da empresa, o álcool é o único combustível capaz de competir com o petróleo em termos de preço.
''É nessa hora que o Brasil leva vantagem, pois é mais eficiente graças ao baixo custo de produção da cana'', explica. Para ele, a competitividade do álcool está justamente no esgotamento dos estoques mundiais de petróleo. A tendência é de aumento nos preços internacionais. ''Enquanto o barril do petróleo é comercializado a cerca de US$ 70, o álcool pode ser vendido a US$ 40/barril'', assinala o agrônomo.
O crescimento da fabricação de veículos com motor flex também tem contribuido para o segmento. De acordo com Carminate, em 2004, apenas 30% dos automóveis brasileiros podiam ser abastecidos com álcool ou gasolina. No ano passado, este número aumentou para 75%. Segundo o diretor da Milenia, o consumo mundial de etanol deverá crescer de 42 bilhões para 120 bilhões de litros/ano até 2015, graças à lei que obriga a adição de 6% de álcool na gasolina.
''No Brasil, a demanda por álcool deverá aumentar de 160 milhões para 400 milhões litros/ano'', calcula. A vitória brasileira na Organização Mundial do Comércio (OMC) quanto à redução do subsídio de países europeus na produção de açúcar também será favorável ao cultivo da cana. ''Só o consumo chinês deverá crescer de 6,6 quilos (kg) para 9 kg/açúcar/per capita'', comemora Carminate. Para ele, a cana é mesmo ''a cultura da vez''.


