O sistema de plantio direto tem crescido em área no Paraná, mas boa parte dos produtores adotam somente uma parte das práticas recomendadas, não alcançando assim todos os benefícios do sistema. Cientes destas limitações os pesquisadores da área de mecanização do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), estão trabalhando já há algum tempo na adaptação de máquinas para melhorar a qualidade do plantio direto no Estado, e muitos resultados já foram alcançados.
A maioria da máquinas utilizadas para o plantio direto tem elevado custo de aquisição para a maior parte dos produtores. Além disso são ‘‘ pesadas, exigem potência acima da capacidade dos tratores disponíveis, mobilizam muito o solo no sulco com seus sulcadores e não possuem componentes de aterramento, incorporando a pouca palhada existente sobre a superfície do solo’’, comenta o pesquisador Ruy Casão Júnior.
‘‘Nos últimos anos foram aperfeiçoados os sistemas de distribuição de sementes e fertilizantes; as regulagens foram facilitadas; reduziram-se os problemas com embuchamento e foram introduzidos componentes para o trabalho em solos mais compactados e argilosos’’, informa Ruy Casão. Mas ainda existem problemas a resolver. ‘‘Houve grande evolução nas semeadoras-adubadoras de plantio direto nos últimos 10 anos no Brasil, mas ainda há muito caminho para se conseguir um plantio direto com manutenção da cobertura morta vegetal’’, completa o pesquisador.
Manter a palhadaOs pesquisadores lembram que ‘‘sem o uso competente da rotação de culturas com utilização de adubos verdes há dificuldade de se manter uma apropriada cobertura morta vegetal’’. Neste contexto, as semeadoras devem estar adequadas para este trabalho.
No Brasil, as culturas de verão são as mais importantes e as máquinas mais disponíveis no mercado são as semeadoras de precisão, popularmente denominadas de ‘‘plantadeiras’’.
Estas máquinas semeiam culturas como milho, soja, algodão, sorgo, feijão entre outras, distribuindo sementes espaçadas entre si em sulcos com espaçamentos não inferiores à 40 cm. Portanto, não semeiam em fluxo contínuo, ou seja, com grande quantidade de sementes na linha e estas distanciadas entre si a espaçamentos inferiores a 40 cm, denominadas popularmente de ‘‘semeadeiras’’.
O que se deseja é o plantio direto ‘‘invisível’’ ou seja, que após a semeadura não se perceba que a palhada foi mobilizada, mantendo-a intacta sobre o terreno e permitindo assim, obter todos seus benefícios. ‘‘Isto foi observado em algumas poucas situações, como por exemplo: quando a ‘plantadeira’ estava composta com discos duplos desencotrados e, dispositivos aterradores, trabalhando a velocidades inferiores a 5 km/hora’’, explica o pesquisador Rubens Siqueira.
Atualmente existem no mercado nacional em torno de 20 fabricantes de semeadoras de plantio direto, que disponibilizam mais de 100 modelos com diferentes configurações, número de unidades de semeadura ou linhas, como por exemplo para soja, variando de 3 a 25 linhas.
Buscando soluções‘‘Muitos produtores e alguns fabricantes preocupados com este problema, substituem as hastes de abertura de sulco para deposição de fertilizante por outras mais estreitas e com características geométricas que exigem menor potência para serem tracionadas’’, informa Augusto Guilherme de Araújo.
O Iapar tem estudado ‘‘plantadeiras’’ e obtido bons resultados com hastes de 12 mm de espessura e ângulo da ponteira em relação a superfície do solo de 200. Esta recomendação tem exigido em torno de 20% a menos de potência nos experimentos.‘‘Essa redução na demanda de potência têm sido verificado também pelos produtores de referência dos municípios que fazen divisa com o Lago Itaipu. Estes citam que seus tratores trabalham com menor esforço, com marchas mais leves e rápidas, podendo, algumas vezes, introduzir uma linha a mais na máquina,’’ completa Araújo.
Mais estudosEste tema motivou um estudo mais detalhado, que está sendo realizado no Iapar, com a maioria das hastes existentes no mercado nacional, visando caracterizar a exigência de força, potência e mobilização do solo.‘‘ Com isso pretende-se futuramente disponibilizar parâmetros para construção deste componente de ataque ao solo à produtores, oficinas e indústrias interessadas’’, explica Casão.
Os pesquisadores informam que alguns produtores adicionaram, também, discos aterradores em suas máquinas, conseguindo um melhor resultado na semeadura. Somente este componente ajuda a reduzir de 50% para 20% a superfície de solo exposto, devido a sua ação de retornar solo e palha anteriormente mobilizada pelos discos de corte e hastes sulcadoras. Alguns fabricantes já possuem há mais de 10 anos estes componentes em suas semeadoras.
‘‘Este fato é importante pois pode auxiliar na emergência das plantas, caso ocorra alguma estiagem após a semeadura, como ocorrido no ano passado,’’ explica Casão.
Outro componente que tem auxiliado o aterramento é a roda cônica dupla, a qual possui a função de controle de profundidade e aterramento quando adequadamente inclinada em relação a direção de deslocamento, promovendo o chegamento de solo e palha sobre o sulco de semeadura.
Os pesquisadores também estão trabalhando numa equipe multidisciplinar com o objetivo de estudar ‘‘semeadeiras’’, em parceria com a Itaipu Binacional, que pretende melhorar a qualidade do plantio direto nos municípios que fazem divisa com o lago formado pela represa.
EvitarO que não se deseja é o que está ocorrendo na maioria das propriedades onde se pratica o plantio direto, ou seja, a grande mobilização do solo. Outro grave problema, quando se trabalha com grande quantidade de cobertura vegetal, é o embuchamento. Este é agravado quando o solo está mais úmido, apresentando certa plasticidade, que é condição comum na operação de semeadura.
Apesar das ‘plantadeiras’ já terem evoluído muito, sobre este aspecto, recomenda-se deixar os carrinhos em zig zag, permitir espaços entre os componentes de ataque ao solo, para que a palha flua entre os mesmos, evitar pontos na máquina onde a palha com o solo úmido possam grudar e principalmente não deixar de realizar um bom manejo da palhada.
‘‘Deve-se evitar o trabalho com a palha murcha. Na semeadura esta deve estar seca ou tenra. Seu manejo pode ser com rolo-faca, roçadora com facas transversais ao deslocamento da máquina (triton), ou usando uma roçadora cortando a vegetação a 30 cm de altura para evitar enleiramento da mesma’‘’, explica Casão. Outro cuidado que se deve ter é o de não fragmentar exageradamente a vegetação como faz o ‘‘triton’’, para evitar sua rápida decomposição em regiões onde as temperaturas são elevadas.
Outra situação foi quando utilizou-se hastes sulcadoras, mas com o solo na consistência friável ou seja, quando não está nem seco e nem muito úmido, condição mais apropriada para o trabalho com máquinas, sem aderência de solo nos componentes e ainda, sem provocar compactação superficial, principalmente provocada pelo trafego de máquinas com o solo úmido.
‘‘Acreditamos que com essas recomendações é possível realizar um serviço não ideal, mas com qualidade muito melhor do que se tem conseguido atualmente e, principalmente, não correndo o risco de retornar para o indesejado preparo convencional,’’ garante Ruy Casão.

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