Melhoramento genético se preocupa com produtividade, mas não com a proteína
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sábado, 03 de agosto de 2019
Victor Lopes - Grupo Folha 

No momento de se desenvolver uma nova cultivar, fica claro que as empresas que trabalham com melhoramento genético ainda não olham para o teor de proteína com a mesma preocupação com que se atentam, por exemplo, ao incremento de produtividade e criação de resistência a algumas doenças. Afinal, o foco é investir no que dá retorno. No momento de escolher uma variedade, a pergunta do produtor invariavelmente será quais são os níveis de produtividade que determinada cultivar atingiu. Simples assim.
A relação entre a soja e seus dois principais derivados funciona da seguinte forma: enquanto maior a produtividade, maior o volume de óleo. Agora, quando se aumenta o teor da proteína, o volume de óleo cai; são inversamente proporcionais. “Hoje o teor de proteína está estagnado porque não se dedicou esforços para melhorá-lo até o momento. Se continuar nessa linha de trabalho, a tendência é de materiais mais produtivos e com teor mais baixo de proteína”, explica o pesquisador da área de melhoramento genético da Embrapa Soja, Antonio Eduardo Pipolo.
No entanto, ele explica que é possível sim trabalhar em cultivares que consigam caminhar com um aumento de produtividade e teor de proteína em conjunto. “Como isso não é remunerado, fica para atrás, e acaba-se trabalhando com outras características. As empresas de melhoramento buscam, além da produtividade, resistência a algumas doenças importantes e a proteína não é levada muito em conta.”
De qualquer forma, a indústria está atenta a essa movimentação, questionando há anos como tem caminhado o teor de proteína. O foco acaba sendo mais no farelo de soja, pela dificuldade de substituí-lo por outro produto tão nutritivo, já que o óleo possui muito mais concorrentes no mercado, como oliva, canola, dendê, entre outros. “Existem sim um questionamento por parte da indústria em relação a isso e não é só no Brasil. Acredito que ao longo do tempo, da forma com a produtividade tem aumentando, vai chegar um momento que a qualidade vai ser importante também, vai pesar na balança.”
De qualquer forma, Pipolo relata que a soja brasileira tem qualidade. Alguns trabalhos acadêmicos, inclusive mostram que a oleaginosa nacional está à frente de outros países produtores. “Existe um certo consenso de que não estamos atrás dos nossos principais concorrentes”, complementa.



