O teor de proteína da soja está estagnado pois ainda não se registram esforços para melhorá-lo, admite pesquisador
O teor de proteína da soja está estagnado pois ainda não se registram esforços para melhorá-lo, admite pesquisador | Foto: Antonio Neto/Divulgação

No momento de se desenvolver uma nova cultivar, fica claro que as empresas que trabalham com melhoramento genético ainda não olham para o teor de proteína com a mesma preocupação com que se atentam, por exemplo, ao incremento de produtividade e criação de resistência a algumas doenças. Afinal, o foco é investir no que dá retorno. No momento de escolher uma variedade, a pergunta do produtor invariavelmente será quais são os níveis de produtividade que determinada cultivar atingiu. Simples assim.

A relação entre a soja e seus dois principais derivados funciona da seguinte forma: enquanto maior a produtividade, maior o volume de óleo. Agora, quando se aumenta o teor da proteína, o volume de óleo cai; são inversamente proporcionais. “Hoje o teor de proteína está estagnado porque não se dedicou esforços para melhorá-lo até o momento. Se continuar nessa linha de trabalho, a tendência é de materiais mais produtivos e com teor mais baixo de proteína”, explica o pesquisador da área de melhoramento genético da Embrapa Soja, Antonio Eduardo Pipolo.

No entanto, ele explica que é possível sim trabalhar em cultivares que consigam caminhar com um aumento de produtividade e teor de proteína em conjunto. “Como isso não é remunerado, fica para atrás, e acaba-se trabalhando com outras características. As empresas de melhoramento buscam, além da produtividade, resistência a algumas doenças importantes e a proteína não é levada muito em conta.”

De qualquer forma, a indústria está atenta a essa movimentação, questionando há anos como tem caminhado o teor de proteína. O foco acaba sendo mais no farelo de soja, pela dificuldade de substituí-lo por outro produto tão nutritivo, já que o óleo possui muito mais concorrentes no mercado, como oliva, canola, dendê, entre outros. “Existem sim um questionamento por parte da indústria em relação a isso e não é só no Brasil. Acredito que ao longo do tempo, da forma com a produtividade tem aumentando, vai chegar um momento que a qualidade vai ser importante também, vai pesar na balança.”

De qualquer forma, Pipolo relata que a soja brasileira tem qualidade. Alguns trabalhos acadêmicos, inclusive mostram que a oleaginosa nacional está à frente de outros países produtores. “Existe um certo consenso de que não estamos atrás dos nossos principais concorrentes”, complementa.

Imagem ilustrativa da imagem Melhoramento genético se preocupa com produtividade, mas não com a proteína
| Foto: Folha Arte
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