No mês de junho choveu 424,5 milímetros na região de Londrina, segundo dados do Serviço de Meteorologia do Instituto Agronômico de Londrina (Iapar). Esta quantidade é bastante superior à média histórica dos últimos 30 anos, quando foram registrados em torno de 90 milímetros nesta mesma época. O volume inesperado de água melhora a pastagem de inverno, mas pode prejudicar o pasto perene, além de dificultar a movimentação dos animais e a ordenha.
A análise é do extensionista da Emater, Paulo Hiroki. Ele comenta que a chuva é mais benéfica para quem plantou pastagem de inverno como a aveia, por exemplo, uma das opções mais cultivadas na região. ‘‘O problema é que apenas um número pequeno de produtores cultiva a aveia na região. A maioria tem pastagem perene que, com esta chuva, acaba rebrotando na hora errada, podendo comprometer a alimentação mais adiante’’, diz Hiroki.
Para os produtores que normalmente reservam uma parte do pasto para ser consumido nesta época, as frequentes chuvas também trazem problemas, porque essas forragens acabam se degradando ou sofrendo ataque de fungos, inviabilizando seu consumo.
UmidadeNum período de chuvas intensas durante o inverno, como está ocorrendo, os animais têm dificuldades de se movimentar, devido à grande quantidade de barro, principalmente o barro da terra roxa. A lama pode provocar também problemas nos cascos dos animais, e tornar mais difícil e demorada a higienização na hora da ordenha. ‘‘Para manter a qualidade, o produtor deve tomar cuidados extras na limpeza dos animais e locais de ordenha’’, diz Hiroki.
Os produtores tecnificados que normalmente preparam silagem para este período não devem enfrentar maiores problemas. Paulo Hiroki calcula que 80% dos produtores da região já utilizam alguma tecnologia, e investem no leite como uma alternativa rentável. ‘‘Os demais, são produtores que não exploram a pecuária de leite como um negócio, e acabam sofrendo as consequências disso, ou seja, ficam sem alimento nesta época’’.
A atividade leiteira continua em fase de expansão na região, sendo estimulada como uma opção de renda diária para o produtor. ‘‘Mesmo cultivando soja ou outras culturas principais, o produtor pode também explorar atividade leiteira, sem maiores riscos’’, diz Hiroki.
A região de Londrina tem atualmente 820 produtores, com um rebanho leiteiro de 40 mil cabeças e uma produção estimada entre 130 e 150 mil litros de leite por dia. Segundo Hiroki esta produção vem aumentando nos últimos anos: ‘‘Podemos dizer que de 92 para cá houve um aumento de 30%.’’
MercadoGrande parte do leite produzido na região é comercializado em Londrina, que tem um consumo diário de 90 a 100 mil litros. Com relação a mercado, o extensionista comenta que há uma demanda dos latícinios por uma produção maior, para que as indústrias se tornem mais competitivas.
Paulo Hiroki cita o crescimento da atividade leiteira na região Centro-Oeste do País, como um fator que acaba interferindo no mercado regional também. ‘‘Notamos isso, principalmente, na oferta do leite longa-vida em determinados períodos. Com exceção do leite in natura o pecuarista do Centro-Oeste tem condições de colocar sua produção sazonal aqui se for mais competitivo’’.
No Brasil todo está havendo uma acomodação no mercado do leite. O potencial de crescimento de consumo ainda é bastante significativo. De acordo com informação da professora Elizabeth Farina, da Universidade de São Paulo, houve um grande salto de consumo em 94 e 95. Um crescimento de 90% no consumo do iogurte e de 70% em outros alimentos congelados. ‘‘Mesmo assim, nosso consumo ainda é a metade do que a Argentina consome. Pode-se subir muito mais’’, diz a pesquisadora em entrevista a ‘‘Revista Produtor’’.
Segundo Paulo Hiroki, as empresas ainda estão em busca de um equilíbrio, que lhes forneça um certo conforto para trabalhar.‘‘Este equilíbrio é conseguir processar um volume de leite de acordo com sua capacidade instalada, para que não haja ociosidade, e consequentemente prejuízos com máquinas paradas’’, explica. Por isso, hoje existe uma certa pressão da indústria para que o produtor aumente a produtividade para atender as necessidades destas empresas. Se o produtor da região não conseguir suprir, o mercado estará aberto para produtores do Centro-Oeste, ou de outros países como Argentina ou Uruguai.

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