Melhor técnica para semear milho
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sexta-feira, 31 de outubro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
O professor Amir Pissaia e o rizotron ao fundoUm estudo desenvolvido pela Faculdade de Ciências Agrárias da UFPR sobre o desenvolvimento das raízes do milho, aponta as falhas cometidas pelos agricultores na aplicação de fertilizantes nas lavouras. Segundo o professor Amir Pissaia, autor do estudo, ironicamente a técnica menos utilizada pelos produtores, que é jogar a semente na superfície do solo e depois incorporá-la com arado de aivecas a profundidade de 26 centímetros, é considerada a mais eficiente para o desenvolvimento das raízes.
Pissaia explica que, através dessa técnica, o desenvolvimento radicular atinge profundidade superior a dois metros e consequentemente a planta torna-se mais resistente a estiagens. Isto acontece porque ela vai buscar nas camadas mais profundas do solo a água de que precisa, e pode aproveitar melhor a aplicação de fertilizantes, cuja distribuição se torna mais homogênea quando é feita a remoção do solo com o arado.
ProdutividadeO professor ressalva que a técnica só atinge esta eficiência em plantio convencional, que atualmente ainda representa 70% da área cultivada no País. E por isso cabe a recomendação de técnicas simples que resultem no aumento da produtividade do milho, afirmou. Com essa técnica a produtividade alcançada chegou a 6.537 quilos por hectare, resultado bem superior à media nacional, avaliada em 3 mil quilos por hectare.
Albari RosaTécnicaDentro do rizotron, o professor mostra no vidro como acampanha o crescimento das plantas
Amir Pissaia desenvolveu sua pesquisa através da avaliação de três técnicas de fertilização, com quatro cultivares de milho, plantados na fazenda Canguiri, da UFPR. O estudo, que lhe valeu o título de primeiro doutor formado em Agronomia pela UFPR, foi feito a campo e em rizotron (uma estufa construída abaixo do nível do solo, com paredes de vidro e amianto e estrutura metálica). O rizotron permite o estudo do desenvolvimento das raízes, sem danificar as plantas. Isso porque o milho é plantado em parte de solo colocado entre as paredes de vidro e amianto, que isola o calor e a luz. O desenvolvimento da planta e da raiz permite o acompanhamento através das paredes de vidro, dentro da estufa.
Além da primeira técnica, que prevê a incorporação das sementes com arado, as outras técnicas são estudadas a distribuição de sementes em covas, a 13 centímetros de profundidade, normalmente empregada por pequenos produtores que utilizam tração animal no preparo do solo. E ainda a técnica exclusiva para plantio com máquinas que fazem uso de semeadoras, considerado o método menos eficiente. Isso porque a distribuição de fertilizantes é feita paralelamente à semeadura e os sulcos abertos pela máquina atingem somente sete centímetros de profundidade, o que resulta num desenvolvimento regular das raízes.
Para esse estudo foram utilizadas as cultivares AG303, P 3207, Dina 170 e P 3230. A produtividade alcançada com a técnica de covas foi de 5.767 quilos por hectare e 4.454 quilos por hectare com a técnica que utiliza as semeadoras, explicou Pissaia. A cultivar que obteve maior resposta com a técnica do arado foi a AG 303.
AvaliaçãoNo estudo foram avaliados o rendimento econômico, o rendimento biológico, o índice de colheita, as massas fresca e seca, além do maior crescimento radical e massa seca e fresca de raízes. Independente das características genéticas das cultivares, o tratamento ofereceu maior rendimento de grãos, propiciou maior crescimento e massa, induzindo o crescimento harmônico das raízes e melhor aproveitamento da água e nutrientes disponíveis no solo.
Pissaia lamenta a deficiência da pesquisa técnica, que não leva informações a todos os produtores. Na maioria das vezes são técnicas simples que podem render altas produtividades mas, por falta de informação adequada, o produtor não as coloca em prática. Segundo o professor, a produtividade de milho no Brasil é muito baixa, mas isso não significa que é preciso aumentar a aplicação de fertilizantes para elevar a produtividade. Mas sim melhorar as condições para que o solo possa ser bem aproveitado com um manejo mais adequado, salientou. Para Pissaia, a maioria das técnicas que prevêem o melhor aproveitamento do solo são simples mas pouco difundidas entre os produtores.


