Ao completar um ano de atividades, a Aliança Mercadológica Novilho Precoce, de Guarapuava, mostrou que o pecuarista pode ser melhor remunerado por um produto diferenciado. Mas para que isso ocorra é essencial a organização da classe produtiva, com tomada de decisões e planejamento conjunto das ações. A avaliação é do engenheiro agrônomo e coordenador do programa, Itacir Sandini, que apresentou o programa para cerca de 300 produtores rurais e técnicos reunidos no 1º Encontro Mais Lucro por Arroba, realizado no último sábado na Fazenda Ventania, em Ventania (126 km ao norte de Ponta Grossa). O encontro foi organizado pelo pecuarista Amadeu Colombo Cavalcante.
Produtor x frigorífico
O relacionamento da classe produtora de carne bovina com os frigoríficos, na maioria das vezes, é tumultuado. ''Uma das situações corriqueiras é vermos frigoríficos, pressionados pelo varejo, levarem problemas para o produtor rural, que é o setor menos organizado da cadeia. Isso gera conflitos constantes'', comenta Sandini, destacando que o pecuarista, geralmente, trabalha de forma muito individual. Para exemplificar os conflitos, Sandini cita a exigência de uma parcela significativa do varejo em trabalhar sem nota ou meia nota fiscal. ''Para se ter uma idéia, oficialmente foram consumidos 1,5 milhão de cabeça no país no ano passado, mas foram comercializados 3 milhões de couro bovino. Tem boi com dois couros'', cita.
Várias tentativas de organizar o setor foram registradas em todo o país. Nenhuma deu certo. Na avaliação de Sandini, o maior obstáculo encontrado é que todas as tentativas foram elaboradas por frigoríficos ou rede de supermercados, sem que houvesse benefício para quem produzisse carne com qualidade diferenciada.
Benefício para todos
A aliança de Guarapuava conta hoje com a participação de 10 produtores de carne, 10 varejistas e um frigorífico. O projeto envolve três municípios, além de Guarapuava: Candói, Pinhão e Foz do Jordão. Segundo Sandini, toda a cadeia envolvida no projeto é beneficiada. O produtor recebe bonificações por qualidade e por regularidade na entrega do produto. No primeiro caso, a bonificação para machos é de 3% na arroba; as fêmeas têm o preço do boi mais 0,5%. Pela regularidade, a bonificação é de até 5% para machos e até 2,5% para fêmeas.
O frigorífico integrante do projeto recebe as vísceras e couro dos animais. Os varejistas, segundo Sandini, também não têm do que reclamar. ''Com o produto recebido dos produtores da aliança, os varejistas conquistaram nova clientela que, além de ir buscar carne do novilho precoce, leva também carnes de porco, de ave, carvão, saladas. Muitos dos varejistas da aliança já ampliaram seus negócios'', informa.
Os padrões de qualidade estabelecidos pela aliança devem ser cumrpidos rigorosamente. Os novilhos devem ser abatidos com 225 quilos e as novilhas com 180 quilos e 24 meses de idade, no máximo. A cobertura mínima de gordura exigida é de 3 milímetros e máxima, de 10 milímetros. Uma das grandes vantagens da aliança, apontadas por Sandini, está na regularidade da entrega da carne, o que proporciona um fluxo de caixa mensal para o produtor. Somam-se a isso a bonificação e a melhoria da eficiência produtiva, com maiores rendimento de carcaça, conversão alimentar e ganho de peso diário, entre outros itens que são melhorados devido à exigência da aliança de se produzir com qualidade.

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