Para o assessor econômico da Ocepar, Nelson Costa, a profissionalização das cooperativas com a capacitação dos dirigentes, funcionários e cooperados tem possibilitado ao setor o melhor gerenciamento e a oportunidade de bons negócios. Nos últimos dois anos, com o Sescoop - Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo, os recursos que antes eram destinados para outros setores, hoje são direcionados para essa finalidade. ''Só o Sescoop do Paraná treinou no ano passado 62 mil pessoas, entre dirigentes, funcionários e cooperados, e para este ano, a previsão é de se treinar 60 mil.''
Para Costa, a afirmativa que muitos produtores rurais vão mal não é verdadeira, ''pelo menos para os associados às cooperativas.'' Ele cita exemplo das safras de soja e milho do ano passado. ''Em junho de 2001, 80% das safras de soja e milho haviam sido comercializados. Naquela época, inclusive, os preços da soja e do milho se recuperaram somente a partir de julho, como está ocorrendo hoje, mas os produtores já haviam comercializado. Neste ano, em junho, antes de haver a reação do preço da soja em Chicago e a alta do dólar no Brasil, os produtores associados haviam comercializado apenas 45% da safra.''
O exemplo mostra, salienta Nelson Costa, que os ganhos da bolsa e do dólar, estão sendo internados para os produtores. ''É importante destacar que essa estratégia de segurar as vendas tem muitas razões. Uma delas foi o sistema adotado de pagamento do custeio agrícola de divisão em parcelas e a primeira vencendo a partir de junho o que não pressionou as vendas. Isso permitiu inclusive uma redução dos custos de transporte pela diluição do escoamento da safra.''
Outras razões, segundo Costa, foram o alongamento do prazo de pagamento das dívidas securitizadas e a permissão para renegociação das dívidas dos agricultores que ainda não haviam renegociado, através do Programa de Saneamento de Ativos - Pesa. ''Isso deu um novo horizonte para o endividamento rural. Com isso, os agricultores passaram a ter mais tranquilidade para fazer novos investimentos. Prova disso é que no ano passado os agricultores investiram somente na renovação do parque de máquinas cerca de R$ 1,6 bilhões.''
As cooperativas além de fornecerem insumos, assistência técnica, realizarem a comercialização e industrializarem parte da produção, lembra o asssessor, também geram sobras aos seus associados. ''Isso representa uma receita adicional aos cooperados, que os agricultores não associados não têm, pois repassaram suas produções para empresas capitalistas que não utilizam o sistema de divisão de resultados.''
A coexistência de pequenos produtores com médios e grandes numa mesma cooperativa, avalia Nelson Costa, é uma forma inteligente de viabilizar os pequenos. ''A divisão de custos fixos da cooperativa é diluída pela produção e não por cooperado, em consequência, é o médio e o grande que acabam dando viabilidade para que a cooperativa possa atender os pequenos produtores.''
Lembra o assessor da Ocepar que os investimentos das cooperativas em atividades como suinocultura, avicultura, leite, sericicultura, dentre outras atividades, visam atender o médio e o pequeno produtor, porque são atividades em que demandam grande de mão-de-obra geralmente familiar. O processo de ''mundialização'' da economia garante Nelson Costa, está obrigando as cooperativas a transformarem seus sistemas de gerenciamento, comercialização e logística de uma forma geral.

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