Mel na merenda e sucessão familiar: vencendo adversidades
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sábado, 19 de janeiro de 2019
Victor Lopes <br> Reportagem Local 

Como muitas culturas agrícolas, a apicultura também passa por altos e baixos. Oscilações na produção e nos preços são as mais comuns na safra recente. Adversidades, entretanto, que não desmotivam os produtores que conversaram com a FOLHA, que estão com uma expectativa bacana e com novos projetos para 2019.
Antônio Carlos Stutz trabalha com mel há duas décadas, numa propriedade de 7,5 alqueires em Paiquerê. O Apiário 3 Pinheiros produz o mel da marca Gota da Flor: são cerca de 200 colmeias em cinco propriedades diferentes, o que totaliza uma produção de cinco a seis toneladas por ano, em média. No distrito, Stutz faz todo o processamento.
Ele relata que desde o início da safra, no ano passado, passou por algumas dificuldades. A produção foi muito sacrificada devido às chuvas na florada, e então não deve passar de quatro toneladas até o final dos trabalhos. "Geralmente até dezembro extraímos 60% da produção. Em 2018 acho que não tirei 10%. Outros apiários aqui da região Norte estão vivendo o mesmo drama", explica.
Agora em janeiro a situação melhorou um pouco e na semana passada ele tirou 400 quilos de mel. Um ponto positivo é que ele foi selecionado recentemente para entregar o produto para a merenda escolar das escolas municipais de Londrina, por meio do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar). "Por isso fiz uma parceria com um produtor de Lerroville, que vai me entregar de três a quatro toneladas de mel e vou processar aqui na minha propriedade. Se tivesse mais mel para comprar e processar sem dúvida eu faria, porque há um mercado muito grande para atender, inclusive em São Paulo."
Há pouco mais de três anos, a reportagem da FOLHA esteve na propriedade de Robson Cândido de Souza, em Congonhas, distrito de Cornélio Procópio. Apicultor há mais de 30 anos, naquela época, estava animado com sua produção de 200 colmeias em sete hectares, além da marcenaria das próprias caixas de colmeia para a venda a outros produtores. Na época, a projeção de Souza era incrementar a produção de mel em 1,2 tonelada.
Passado esse tempo, o apicultor relata que enfrentou algumas adversidades. Nos últimos dois anos, ele avalia que a produção não foi muito legal, chegando a quatro toneladas em 250 colmeias. "As ondas de frio fizeram com que as plantas não liberassem néctar. Em janeiro agora, colhi em torno de uma tonelada de mel e espero que esse ano chegue a seis toneladas."
Na produção, ele continua comercializando no varejo, com sua marca Potência Mel, e também vendendo para um apiário de Maringá, no atacado. Ele relata que, recentemente, o preço caiu um pouco, em torno de R$ 7,00 o quilo, retração de 36% contra os R$ 11 de dois anos atrás. "Como a produção não foi alta, não vendi no atacado, estou só trabalhando no varejo. O custo está em média de R$ 5,00 o quilo. Hoje minha marca está em cinco pontos de venda da cidade, incluindo a cera e o própolis."
Em relação à geleia real, o apicultor disse que já manejou o produto, mas pela complexidade do processo, enxertia das larvas, população jovem das colmeias, torna tudo muito trabalhoso e com pouco retorno. "A geleia produz menos e com essa que vem da China, fica difícil competir."
Daqui pra frente, mesmo com algumas adversidades, a ideia é só aumentar a produção. Agora, com o filho César, a expectativa é aumentar ainda mais as colmeias. O rapaz disse ao pai que quer investir na abelhas. "Ele tem 19 anos e vai entrar com um apiário para ele. Vou fornecer o material e ele vai trabalhar para conseguir a própria renda. A ideia é ele começar com 100 colmeias, com a instalação das primeiras já agora." (V.L.)


