Mel é bom. Com inspeção fica melhor
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sábado, 20 de dezembro de 2003
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
A qualidade e a pureza do mel brasileiro têm chamado a atenção de consumidores de outros países como a Alemanha. Atentos a este novo mercado produtores e empresário investem na produção e em equipamentos de envase para atender as exigências da exportação.
Em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana), o empresário Jairo Guilhobel Siqueira, que representa a terceira geração da família no setor, é o único de sua região inscrito no Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Munistério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). No ano passado ele exportou 120 toneladas de mel para a Alemanha e já se prepara para uma entrega maior em 2004.
O Brasil, segundo Siqueira, ocupava até o ano passado o 10º lugar no ranking de exportação liderado pela China e a Argentina. Problemas de contaminação por antibióticos, como informa o empresário, tiraram os chineses do mercado de externo abrindo as portas para o produto nacional. Há dois anos um grupo de produtores se reuniu em Curitiba com compradores estrangeiros, através do Mercosul. ''Acredito que no próximo ano estaremos no topo das exportações'', presume.
A exportação promoveu também uma melhoria nos preços pagos pelo mel. Siqueira acredita até mesmo na falta do produto para o mercado interno. No ano passado o mel foi comercializado a US$ 900,00/t. Este ano com as exportações o preço variou entre US$ 2 mil a US$ 2,5 mil/t.
Siqueira destaca que em qualidade o mel brasileiro está entre os melhores do mundo e com possibilidades de aumento de produção ''do Oiapoque ao Chuí''.
No município, o mel, de acordo com o empresário, oupa a terceira posição na participação econômica, ficando atrás do gado e da soja. Ele estima que este ano a produção de mel em Ortigueira seja de 12 mil latas de 25 quilos (300 toneladas).
A diversificação da flora permite a colheita de mel com diversos tipos de floradas. O sabor, a cor, e a densidade do mel variam conforme a florada visitada pela abelha. ''O produto de tonalidade mais escura é mais rico em propriedades minerais'', exemplifica.
Parte da produção vendida por Siqueira é produzida nas 1.500 colméias de abelhas africanizadas que possui. O volume de mel produzido varia entre 25 a 40 toneladas. Mas a maior parte do produto que comercializa vem de produtores do município. Para garantir a qualidade e a higiene do mel, a empresa disponibiliza um veterinário que assessora esses produtores. ''O mel que a abelha produz é limpo mas, sem boas práticas, ele pode ser contamindo durante a coleta e transporte'', alerta.
Além do mel, o apicultor retira das colméias o pólen, a própolis, e a geléia real (alimento da abelha rainha) e a cêra.
A produção de uma colméia, de acordo com o empresário, depende do número de abelhas operárias - uma boa colméia deve ter entre 60 mil a 80 mil operárias -, da quantidade de flores no ambiente onde a caixa está instalada e, também, das condições climática. ''Excesso de chuvas pode derrubar flores e diminuir a quantia do mel produzido'', explica.
Em tempos de boa florada a produtividade média é de 35 a 40 quilos de mel por colméia, como ocorreu este ano com a florada das taquaras (uma espécie de bambú cuja produção de flores ocorre de sete em sete anos). O tempo de produção do mel na colméia é curto. Dependendo da quantidade de flores a ''colheita'' pode ser feita 30 dias após a colocação das abelhas.
Os enxames são capturados na própria natureza. Caixas com iscas devem ser colocadas 20 dias antes da florada. Siqueira orienta que não há uma data determinada para isso: ''é preciso observar o desenvolvimento dos botões nas árvores'', informa.
As caixas são compostas por dois ''ambientes'': a melgueira - onde são colocados as caixilhas para a produção dos favos de mel - e o ninho da família. As iscas são placas feitas com a cêra das abelhas. O custo médio de uma colméia, de acordo com o empresário, é de R$ 350,00.
A apicultura segundo ele é uma ótima opção de diversificação na agricultura familiar. ''A maioria dos apicultores de nossa região arrendam área de mata para a instalação das colméias''. A lucratividade média de 300 caixas, como calcula, pode ser superior a R$ 1.000,00/mês.
Serviço:
O mel produzido e processado pelo empresário Jairo Siqueira pode ser encontrado na Casa do Mel, na BR-376, KM 350, no trevo de Ortigueira. Em Londrina há dois postos de venda, no Mercado Shangri-lá (3327-6497) e no Jardim das Flores (3341-2730).


