Outra cadeia produtiva paranaense que busca o reconhecimento geográfico é o mel de Ortigueira, região Norte do Estado. A Associação dos Produtores de Mel de Ortigueira (Apomel), que reúne 45 apicultores, deu início ao processo para obtenção da Indicação Geográfica (IG) em 2010, mas a iniciativa continua sob análise. A produção de mel no município chega a 400 toneladas por ano. Segundo Fabrício Pires Bianchi, consultor do Sebrae de Ivaiporã, a estimativa é de que a IG resulte em um aumento de 30% da rentabilidade dos produtores.
''O processo está sendo estruturado de acordo com as diretrizes previstas e com a experiência do projeto dos cafés especiais do Norte Pioneiro. São necessários investimentos em modernização e processos'', explica Bianchi. Além da Apomel e do Sebrae, também estão envolvidas no processo a Prefeitura de Ortigueira, o Emater, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).
A pesquisadora do Iapar, Maria Brígida dos Santos Scholz, ressalta que a definição das características do produto é etapa essencial para obteção da IG. Brígida esclarece que o mel varia conforme a florada de cada época do ano, utilizada para alimentação das abelhas. ''Até agora, pudemos observar que há uma tendência de coloração clara para o mel de Ortigueira. Quanto outras composições, ainda é cedo para afirmar'', revela. Já Bianchi acrescenta a quantidade de açúcar, a condutividade e o pólen como diferenciais do produto. A estimativa é de que até 2013 existam mais subsídios para descrição do mel.
A presidente da Apomel, Ana Mozuski Kutz, lembra que a entidade existe há 28 anos e que agora está estruturando uma cooperativa para suprir as necessidades comerciais. A Apomel aguarda a liberação de recursos para construção de três unidades de extração e uma de beneficiamento, que devem ser concluídas ainda este ano. Atualmente, a Associação exporta para Alemanha, Estados Unidos, França, Suíça e Inglaterra. Com as ampliações, o grupo terá um SIF próprio que permitirá ampliar o número de mercados consumidores, com base na rastreabilidade do produto. ''Hoje exportamos pelo entreposto, mas, com a nossa própria unidade, o lucro virá direto para os produtores. Além disso, teremos mais opção de exportação, com a possibilidade de comercializar produtos fracionados'', avalia Ana.(M.F.)

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