MEIO AMBIENTE RESPONSÁVEL
Quando há escassez de água, como aconteceu no sul do país na passagem de ano entre 2011 e 2012, em pleno verão, é que nos convencemos que a falta dágua é algo efetivamente grave. Na agricultura, isso significa prejuízos para a produção, além de falta de água para as pessoas e dessedentação de animais.
Já comentamos algumas vezes nesta coluna que a produção de água pela natureza é um serviço ambiental extraordinário que está a nossa disposição e para o qual não damos o real valor.
A quantidade total de água do planeta é sempre a mesma, porém a demanda do homem é cada vez maior, não só pelo aumento da população como também pelo grande aumento na produção de alimentos para suprimento do mercado interno e para exportação.
Para produzir, desossar e comercializar um único frango, consomem-se cerca de 20 litros por animal. Se tomarmos por base um abatedouro que produza 350.000 frangos dia - comum no Brasil -, gastaremos em um só dia 7,5 milhões de litros dágua nesta tarefa. Isto, durante todos os dias do mês e do ano. É por isto que muitos países estão importando alimentos do Brasil, como carne, soja e frutas. Na verdade, o que eles estão importando é a água que não têm em seus territórios e que ainda é abundante, na maior parte das vezes, em nosso País.
De forma crescente, os produtores rurais estão por irrigar a plantação, tendo em vista as mudanças no clima devido ao aquecimento global e à perspectiva de evitar surpresas e perdas na colheita por falta de chuva. Muitas vezes, ao colaborar com desmatamento desenfreado, estamos matando a galinha dos ovos de ouro de nosso País que é sua biodiversidade e a água que brota das nascentes em geral próximas das matas.
Antigamente, era comum, inclusive em loteamentose construção, a drenagem de nascentes que surgiam para impedir que atrapalhassem as obras. Hoje em dia, há muita gente ainda pensando desta forma e impedindo que a água brote e fique à disposição da população.
A legislação determina que devemos proteger as nascentes em uma área com pelo menos 50 metros de raio em seu entorno e de 30 metros para cada lado do rio no caso de corpo hídrico com até 10 metros de largura.
Esta proteção, que deveria ser vista como algo sagrado, acarreta a colocação de cercas para evitar a entrada de animais e também de pessoas. Estas áreas devem ser reflorestadas com espécies nativas, sendo desejável um projeto de recuperação da mata ciliar para que o plantio seja feito de forma correta, tudo isto submetido ao órgão ambiental no momento oportuno.
Se considerarmos realmente as nascentes como algo sagrado, dádiva de Deus para os homens, saberemos protegê-las de forma correta e garantir um futuro de qualidade para as novas gerações.





