Sem­pre co­men­to em mi­nhas pa­les­tras que a Lei Am­bien­tal é no­va, des­co­nhe­ci­da e, por is­so, des­cum­pri­da. Mui­tos há­bi­tos de nos­sos an­te­pas­sa­dos aca­bam sen­do in­cor­po­ra­dos por nós co­mo nor­mais, mas que não são ­mais ad­mi­ti­dos pe­la le­gis­la­ção am­bien­tal, ­pois es­tá ­mais do que com­pro­va­do que são da­no­sos ao ­meio am­bien­te e, con­se­quen­te­men­te, à saú­de hu­ma­na.
Um des­tes há­bi­tos per­ver­sos é quei­mar ‘­lixo’ no quin­tal de ca­sa ou da em­pre­sa. Al­guns fa­zem de for­ma ro­ti­nei­ra e ­acham nor­mal. ‘‘Sem­pre quei­mei o ­lixo’’, ale­gam.
A le­gis­la­ção bra­si­lei­ra de­ter­mi­na que pro­mo­ver quei­mas a céu aber­to, não au­to­ri­za­das pe­lo ór­gão am­bien­tal, é cri­me am­bien­tal su­jei­to a mul­tas e ­quem o faz po­de ser con­de­na­do. Pro­va­vel­men­te não se­rá pre­so, aca­ba­rá por pa­gar ces­tas bá­si­cas ou pres­tar ser­vi­ços a co­mu­ni­da­de. O ­mais gra­ve, po­rém, é que dei­xa­rá de ser réu pri­má­rio.
Mas o que tem de­mais eu quei­mar ‘­lixo’ di­zem al­guns? A le­gis­la­ção bra­si­lei­ra diz que ­quem ge­ra re­sí­duos (es­te é o ter­mo cor­re­to; ‘­lixo’ não exis­te ­mais) de­ve dar des­ti­na­ção ade­qua­da aos mes­mos. Quei­mar, de­ci­di­da­men­te, não é dar des­ti­na­ção ade­qua­da aos re­sí­duos.
A quei­ma po­de pro­du­zir ga­ses no­ci­vos à saú­de hu­ma­na, ­além do CO2, um dos cau­sa­do­res do efei­to es­tu­fa. Po­lui o ar e afe­ta a saú­de dos vi­zi­nhos. Ora, se meu vi­zi­nho tem o di­rei­to de quei­mar ‘­lixo’, en­tão eu tam­bém te­ria o mes­mo di­rei­to. Co­mo fi­ca­ria, en­tão, o ar de nos­sa ci­da­de se to­dos pas­sa­rem a quei­mar seu ‘­lixo’?
Dia ­atrás, in­do a Cu­ri­ti­ba, vi lo­go na saí­da de Lon­dri­na uma fu­ma­cei­ra e pu­de iden­ti­fi­car uma ofi­ci­na me­câ­ni­ca quei­man­do ‘­lixo’, in­clu­si­ve ­pneus, in­co­mo­dan­do to­da a vi­zi­nhan­ça. Seu pro­prie­tá­rio com cer­te­za afir­ma­ria que aqui­lo é nor­mal, ­pois co­mo ele fa­ria pa­ra su­mir com aque­les re­sí­duos?
Re­sí­duos re­ci­clá­veis de­vem ser en­ca­mi­nha­dos a em­pre­sas de re­ci­cla­gem. ­Pneus ve­lhos de­vem ser le­va­dos até os pon­tos de re­ce­bi­men­tos da As­so­cia­ção dos Fa­bri­can­tes de ­Pneus, que vão en­ca­mi­nhá-los pa­ra re­ci­cla­gem ou pa­ra co­pro­ces­sa­men­to em in­dús­trias de ci­men­to.
Re­sí­duos pe­ri­go­sos co­mo es­to­pas com ­óleo, fras­cos com res­tos de ­óleo ou de tin­ta, fil­tros de ­óleo de­vem ser en­ca­mi­nha­dos so­men­te pa­ra em­pre­sas li­cen­cia­das que re­ce­bem re­sí­duos Clas­se I, se­gun­do a NBR 10.004. ­Eles con­têm con­ta­mi­nan­tes e, se fo­rem dis­pos­tos ir­re­gu­lar­men­te, vão po­luir o so­lo e a ­água do sub­so­lo.
Se vo­cê ob­ser­var pes­soas quei­man­do ‘­lixo’ a céu aber­to, con­ver­se com ­elas, orien­te que ho­je não é ­mais pos­sí­vel fa­zer is­to. Se in­sis­ti­rem, li­gue pa­ra o ór­gão am­bien­tal e de­nun­cie. Não que­re­mos ­mais po­lui­ção em nos­so ­meio am­bien­te. Que­re­mos qua­li­da­de de vi­da pa­ra nós e nos­sos fi­lhos.

Fernando de Barros é engenheiro civil, especialista em Planejamento e Gestão Ambiental, mestre em Engenharia de Edificações e Saneamento e responsável técnico da Master Ambiental. Sugestões de temas: [email protected].

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