Alguns produtos de consumo popular são tão tóxicos e esbanjadores de energia que simplesmente melhorar sua produção não é uma alternativa viável. O melhor é parar de produzi-los. É o caso das latas de alumínio. Quem está procurando modos fáceis de contribuir para o bem-estar do planeta pode começar eliminando imediatamente o uso de latas de alumínio no uso doméstico cotidiano, afirma Annie Leonard em seu livro ‘‘A história das coisas’’.
  Nos Estados Unidos, são consumidas anualmente cerca de 100 bilhões de latinhas de alumínio, ou 340 por pessoa, a cada ano, quase uma por dia. A vida de uma latinha começa com um minério avermelhado chamado bauxita, que é extraído em minas na Austrália, no Brasil, na Jamaica e em outras zonas tropicais. A bauxita é lavada, pulverizada, misturada com soda cáustica, aquecida, resfriada e filtrada, até que o produto final sejam cristais de óxido de alumínio, com metade do peso do minério original.
  Mas sobra algo mais: um resíduo lodoso conhecido como ‘‘lama vermelha’’, composta da substância alcalina da soda cáustica e do ferro da bauxita. Em geral, a lama é ‘‘abandonada’’ em imensos poços a céu aberto. Se uma grande tempestade inundar os reservatórios, o resultado é um dano ambiental devastador. Em seguida, o óxido de alumínio é levado para fundição. Os cientistas chamam o alumínio de ‘‘energia conge-lada’’, pois fundi-lo exige mais energia que qualquer outro processamento de metal.
  Na fundição, os cristais de óxido de alumínio são dissolvidos num banho de criolita (fluoreto de alumínio e sódio) e bombardeados com enormes cargas de eletricidade, que separam o oxigênio do alumínio. O processo também aparta partes do flúor da criolita, que escapa da fundição na forma de perfluorcarbonos (PFCs), que são os gases mais nocivos do efeito estufa, conservando milhares de vezes mais calor do que o dióxido de carbono. Tudo isso para o conteúdo ser consumido em questão de minutos e a lata, descartada em segundos.
  Glenn Switkes, da International Rivers, organização dedicada a proteger os rios ao redor do mundo, explica que as produtoras de alumínio são a principal motivação do governo brasileiro para represar os maiores rios da Amazônia. As empresas de alumínio estão indo para os trópicos por que os governos dos países em desenvolvimento lhes fornecem energia subsidiada das hidroelétricas. Essas barragens geram impactos irreversíveis sobre a biodiversidade e desalojam milhares de habitantes ribeirinhos e povos indígenas. Cabe a nós fazermos a escolha certa ao tomar conhecimento destes fatos e preferir, sem sobre de dúvida, as embalagens de vidro, cuja reciclagem é eterna.


Fernando de Barros é engenheiro civil, especialista em Planejamento e Gestão Ambiental, mestre em Engenharia de Edificações e Saneamento e responsável técnico da Master Ambiental. Sugestões de temas: [email protected].

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