MEIO AMBIENTE RESPONSÁVEL - Os rios sustentam a vida
Os rios sustentam a vida humana, eis a mais pura verdade. São eles que transportam a água, insumo absolutamente indispensável a nós e aos animais. Mesmo assim, os tratamos tão mal. Basta observar que, tanto na área rural quanto na área urbana, os rios estão muito diferentes de como a natureza os criou. Quando os técnicos de empresas produtoras de energia olham para um rio, logo pensam em como podem represá-los para gerar energia elétrica, não importando se terá de alagar grandes áreas de solo fértil, derrubar milhares de árvores ou destruir uma rica biodiversidade como estão fazendo, por exemplo, com o Rio Tibagi, por conta da Usina de Mauá.
Não se importam, inclusive, com as consequências sobre as comunidades ribeirinhas e as que moram rio abaixo estas sofrerão com os efeitos sobre a qualidade da água que vão consumir. Com a mudança do regime lótico para o regime lêntico, vão surgir algas que dão cheiro e cor à água, como infelizmente já ficou constatado na represa Capivara, em Primeiro de Maio.
Junto às propriedades rurais, o que se observa em geral é a falta de mata ciliar, aquela vegetação que protege nossas águas, filtrando os sedimentos, os agrotóxicos, adubos e fertilizantes, sem falar das nascentes em geral, desprotegidas e muitas vezes drenadas indevidamente.
Na zona urbana, o desastre é incomensurável. Lixo jogado nas ruas é conduzido para as bocas de lobo assassinas que, por serem mal concebidas, arrastam para os corpos hídricos, além da água da chuva, grande quantidade de resíduos sólidos, graúdos e miúdos, em descumprimento total da legislação ambiental.
Inúmeras empresas e postos de combustíveis lançam efluentes com produtos perigosos nas galerias pluviais. Por incrível que pareça, ainda é incontável a quantidade de domicílios que lançam, de maneira irresponsável, esgoto clandestino à rede pluvial, além da contaminação por remédios vencidos que são atirados na pia ou na privada.
O mais estranho é que achamos que não há problema, que isto não nos vai afetar, pois as águas deste rio vão logo seguir o seu curso e não vai poluir a água que vamos beber, esquecendo que este rio vai desaguar em outro e que vai abastecer de água a população de nossa cidade vizinha. E logo estaremos bebendo a água que o município a montante poluiu.
Depois ficamos impressionados com a quantidade de doenças de veiculação hídrica que temos no Brasil, onde milhares de crianças morrem sem ter a oportunidade de viver a vida que nós, poluidores, vivemos. Estamos precisando dos óculos do século XXI, o da nova economia verde.
Fernando de Barros é engenheiro civil, especialista em Planejamento e Gestão Ambiental, mestre em Engenharia de Edificações e Saneamento e responsável técnico da Master Ambiental. Sugestões de temas: [email protected].





