Fala-se muito em sustentabilidade. As empresas querem se mostrar sustentáveis para seus clientes. E no caso dos bancos? Será que as instituições financeiras podem ser verdadeiramente sustentáveis? Quando um empreendedor pede um recurso financeiro para seu negócio, será que o banco quer verdadeiramente saber em quê aquele dinheiro será aplicado? No caso de um empreendimento que polua o meio ambiente, o banco tem alguma responsabilidade?
  Sim, sem dúvida. A instituição financeira também deu causa àquela poluição, pois, sem o recurso, aquele empreendimento poluidor provavelmente não existiria. A responsabilidade dos agentes financeiros é muito grande. Se emprestam para quem polui, são corresponsáveis por aquela poluição. Os grandes bancos começam a se preocupar com isto. Se não se precaverem contra este risco, poderão ser acusados, em ações judiciais, de terem dado causa àquela poluição.
  O BNDES hoje já exige, para financiamentos, o licenciamento ambiental. O Banco do Brasil, para financiar uma máquina ou equipamento, também. Estão, de certa forma, se precavendo de problemas futuros e contribuindo para que novos empreendimentos já nasçam ambientalmente corretos. É o mínimo que devem exigir, uma vez que, apesar da licença ambiental, assim mesmo pode haver problemas de poluição.
  A CEF também começa a cobrar licenciamentos ambientais em novas obras, inclusive com a concessão do selo Casa Azul, que bonifica o empreendimento que adota práticas sustentáveis com o objetivo de reduzir o impacto ambiental das construções.
  Esta estratégia, aliada a outros programas específicos, permite que o cliente seja mais eficiente em relação aos cuidados ambientais aplicados em seus negócios, como economia de água, energia e recursos diversos, e o banco também consegue continuar a fazer seus negócios. ‘‘A essência da sustentabilidade é quando a gente consegue equilibrar e reunir os três pontos. É bom para todo mundo, inclusive para o planeta’’, declara o gerente executivo de Desenvolvimento Sustentável do Santander, Sandro Marques. Essas são algumas estratégias que podem fazer um banco ser sustentável. Marques explica que ‘‘o banco busca sempre participar de negócios que considerem todos os pilares da sustentabilidade’’.
  Finalmente ressaltamos que uma das estratégias a serem adotadas por um banco é o de incentivo às praticas sustentáveis de outras empresas, em troca do financiamento. Já imaginaram um Brasil onde os novos empreendimentos já nasçam sustentáveis e ambientalmente corretos? Se os bancos fizerem a sua parte, já será meio caminho andado.

Fernando de Barros é engenheiro civil, especialista em Planejamento e Gestão Ambiental, mestre em Engenharia de Edificações e Saneamento e responsável técnico da Master Ambiental. Sugestões de temas: [email protected].

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