MEIO AMBIENTE RESPONSÁVEL - Aquecimento global é pior que guerra mundial
O aquecimento global é uma resposta do nosso planeta injuriado aos danos que já provocamos e as consequências para a humanidade serão provavelmente muito piores do que qualquer guerra. Os cientistas reconhecem que atualmente a Terra é um sistema autorregulador composto de todas as formas vivas, incluindo os seres humanos e todas as partes materiais que a constituem, o ar, os oceanos e as rochas da superfície. O sistema da Terra regula o seu clima e sua química. Uma vez que a Terra se assemelha a um organismo vivo e reage a tudo que fazemos, adicionar gases de estufa à atmosfera tem efeitos muito diferentes do que se o mesmo acréscimo fosse feito num planeta morto como Marte.
As leis de Gaia, como afirma o extraordinário James Lovelock em seu livro Gaia - Cura para um planeta doente, indicam que, se alguma espécie provocar mudanças na composição do ar e na natureza da superfície da Terra, ela se arriscará a alterar o mundo até um estado que desfavoreça a sua progênie. É desse modo que o sistema da Terra desencoraja espécies nocivas, e nesse sentido nós somos agora o alvo de Gaia. Não somos, porém, apenas uma peste sobre o planeta, a qual deve ser eliminada: somos parte de Gaia e sua primeira espécie conscientemente inteligente.
Ainda não despertamos para a seriedade do aquecimento global, as propostas para a ação são vagas e insatisfatoriamente levadas em consideração. Precisamos entender que já provocamos tantos danos ao sistema da Terra que, mesmo que interrompêssemos de imediato a queima de combustíveis fósseis, ainda assim legaríamos uma Terra empobrecida aos nossos descendentes, A cada dia que continuamos a emporcalhar o ar e confundindo ecossistemas naturais ampliando terras agrícolas sobre as florestas, aumentamos nossa dívida.
Há um consenso entre os cientistas segundo o qual estamos nos aproximando rapidamente de um nível extremo de dióxido de carbono na atmosfera ultrapassado este nível, situado entre 400 e 500 partes por milhão, o sistema da Terra ficará sujeito a um superaquecimento irreversível e, como estamos atualmente no nível de 380 partes por milhão, é possível que nos reste pouco tempo para agir.
Quando Hitler começou a botar suas mangas de fora, em 1938, querendo dominar o mundo, veio a turma dos panos quentes, achando que aquilo não era problema e dava para se ir levando. Deu no que deu: milhões morreram quando não houve outra alternativa a não ser o enfrentamento direto com o inimigo. Será que só vamos agir quando não tivermos mais alternativas?
Fernando de Barros é engenheiro civil, especialista em Planejamento e Gestão Ambiental, mestre em Engenharia de Edificações e Saneamento e responsável técnico da Master Ambiental. Sugestões de temas: [email protected].





