Medidas governamentais são paliativas
A presidente Dilma Rousseff anunciou esta semana algumas medidas para atenuar a crise que aflige a cafeicultura. Porém, os representantes do setor no Paraná avaliam que as medidas são apenas paliativas e que não mudarão a situação dos cafeicultores do Estado a longo prazo. De acordo com os números do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os custos operacionais estão bem acima dos patamares de comercialização e os preços desta safra caíram, em média, 24%.
Em resumo, o governo autorizou o lançamento de contratos de opção de venda de 3 milhões de sacas do grão, com pagamento de R$ 343 para cada uma e vencimento em março de 2014. Com os contratos de opção de venda, o produtor garante a comercialização antecipada da safra ao governo. O contrato com data de vencimento futura permite também que o produtor venda sua safra no mercado, caso encontre preço melhor.
A segunda medida para os cafeicultores anunciada pela presidente foi a liberação de crédito para financiar a estocagem de café até que os preços de venda ao mercado melhorem. "Vocês não precisam comercializar imediatamente sua produção, porque vão dispor de recursos para manter estocada na expectativa de aumento de preço da safra nos próximos meses", explica Dilma. Ela também anunciou a liberação de recursos para a política de preço mínimo para compra do grão, o que beneficia diretamente os pequenos produtores. "Com isso, evitamos que os pequenos, que precisam do recurso no curto prazo, vendam por um preço ruim", avalia a presidente.
Para o presidente da Comissão Técnica de Cafeicultura da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Walter Ferreira Lima, as medidas são "paliativas e tardias". Segundo ele, os patamares dos preços devem subir para a casa dos R$ 300, mas muitos produtores já venderam a produção deste ano. "Mais uma vez, o governo toma medidas para apenas apagar o fogo, e ainda com atraso, já que isso deveria ter sido feito em maio e não no final da safra", ressalta.
Lima salienta ainda que a expectativa era que a presidente apresentasse medidas estruturantes, para que a cultura ganhasse, aos poucos, novo fôlego no País. Agrava-se a isso o fato do Paraná ter passado por uma geada e que nada foi anunciado em específico para o caso. "O meu medo é que o governo não dê sequência para melhorar a situação da cadeia. Precisamos renovar nosso parque cafeeiro, mecanizar a lavoura, entre outras ações para, de fato, retornarmos ao caminho."
Vale dizer ainda que a Faep, no último dia 2, já havia enviado um ofício ao ministro da Agricultura, Antonio Andrade, defendendo medidas emergenciais para o Estado. Entre elas, estava a reprogramação das parcelas de 2013 e 2014 das operações de crédito rural de custeios e investimentos, a liberação de recursos por meio do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), a criação no âmbito da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) da regionalização dos preços mínimos adequados aos custos de produção do Paraná, liberação imediata dos recursos para contratos de opção de venda e aquisição de café pelo governo federal e liberação de recursos dos custeios de colheita e estocagem do Funcafé. (V.L.)





