Para atenuar um pouco a situação dos suinocultores, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) marcou para a próxima terça-feira mais um leilão de balcão. No dia primeiro deste mês, a entidade anunciou a venda de 125,9 mil toneladas de milho durante o primeiro leilão realizado no ano. Ao todo, serão leiloadas 500 mil toneladas de milho dos estoques públicos em lotes de 150 mil até julho.
Para o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, a realização dos leilões não será suficiente para atender as necessidades do setor. Vale lembrar que na última semana a entidade se reuniu com a equipe econômica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). "Quanto à reunião ocorrida, recebemos o retorno de que para que a Conab aumente o limite de compra do milho balcão será necessária a aprovação do Ciep (Conselho Interministerial de Estoques Públicos de Alimentos). No entanto, essa decisão pode levar tempo e os suinocultores não estão em condições de esperar. Por isso, buscamos agendar reunião com a ministra Kátia Abreu e tentar uma nova negociação."
O objetivo do novo encontro, de acordo com Lopes, é mostrar mais uma vez ao Mapa que são necessárias outras ações de curto prazo para atenuar a situação. "Precisamos adotar uma medida mais emergencial e que atenda toda a cadeia produtiva, já que a quantidade de milho disponibilizada para os leilões e a viabilidade econômica desses lotes não é interessante para todos os produtores", complementa.
O diretor executivo da ABCS, Nilo de Sá, relata que os leilões auxiliam os suinocultores no curto prazo, porque ajudam a pressionar o preço da commodity para baixo. "Entretanto, a discussão também precisa abranger novas políticas agrícolas para evitar esse tipo de situação. Hoje, por exemplo, os pequenos e médio produtores só podem comprar seis toneladas de milho pelos leilões. Este valor precisa ser pelo menos cinco vezes maior."
Outro ponto, na opinião de Sá, é que o estoque do milho atualmente fica na mão da iniciativa privada, o que prejudica a cadeia. "Os grandes produtores conseguem fazer uma gestão um pouco melhor dos insumos, mas os pequenos estão sofrendo demais com esta situação. Vale dizer que a ração corresponde por 85% do custo de produção."
O diretor relembra que, no final do ano passado, a entidade e os produtores já esperavam um ano desafiador, mas não imaginavam que seria tão difícil. "O suinocultor vai precisar trabalhar muito com os custos de produção. Sabemos que a colheita do milho safrinha vai ajudar nossa situação, mas também contamos com o bom fluxo de exportações e a melhora do preço do animal vivo." (V.L.)

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