Medidas de proteção contra geadas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de julho de 2000
Cristina Côrtes De Londrina 
Com a retomada do plantio de café adensado no Paraná, cresce a preocupação dos produtores com os riscos de geada, principalmente nas lavouras novas. Atualmente 8 mil hectares de café estão neste estágio no Estado, o que significa 64 milhões de pés que precisam ser protegidos.
O Serviço de Alerta a Geada mantido pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) informa sobre a possibilidade de ocorrência de geada, mas o que o produtor deve ou pode fazer, em poucas horas de antecedência para evitar prejuízos? Preocupados em orientar os produtores, os pesquisadores da Área de Meteorologia realizam pela primeira vez um experimento para avaliar diversas opções que poderiam servir para proteger cafezais recém-plantados. Os testes mostraram que, depois do enterrio total, o bambu-gigante é o método mais eficiente para proteger mudas novas. E os saquinhos, tanto de papel quanto de plástico, podem prejudicar ainda mais as pequenas mudas.
AlternativasForam avaliadas técnicas já utilizadas pelos produtores, e também técnicas inéditas. Segundo o pesquisador Paulo Caramori, o objetivo foi observar a eficiência das técnicas já tradicionais e compará-las também com as novas. Tínhamos informações de que alguns produtores vinham utilizando saquinho de papel para proteger seus cafezais, e de fato não sabíamos exatamente qual a eficácia desta prática; então resolvemos avaliar este e outros métodos, comenta.
Saquinhos de papel, saquinhos de plástico, bambu, enterrio parcial, enterrio total, palha de arroz, bagaço de cana, casca de café, palha de feijãoi, borra de café e casca de arroz estão entre as alternativas analisadas. A temperatura das folhas das pequenas mudas foram medidas continuamente com termômetros de precisão, instalados no campo experimental, através de uma estação meteorológica automática.
TestesAs mudas de apenas um mês foram analisadas durante o último resfriamento ocorrido de 21 a 23 de junho. Foram deixadas plantas- testemunhas, sem nenhuma proteção, para fazer a comparação na mesma área. Os resultados podem ser visualizados no gráfico ao lado.
Na técnica com o saco de papel, foram utilizados saquinhos de papel de 5 kg, semelhante aos utilizados em padarias. Para suportar os saquinhos, utilizou-se uma haste de bambu flexível, dobrada em forma de U, sobre as mudas e com ambas extremidades cravadas no chão. As plantas foram vestidas com os saquinhos e foram feitos dois orifícios para permitir a troca de ar. Este tipo de cobertura provocou resfriamento intenso durante a noite, com temperatura mínima cerca de 1 grau mais baixa do que nas testemunhas sem nenhuma proteção, comentou Paulo Caramori.
Os sacos plásticos foram colocados de forma semelhante. Utilizaram-se sacos plásticos de 5 litros, com vários furos e vedados com terra junto ao solo.
Segundo Caramori, a cobertura com plástico provocou aquecimento excessivo durante o dia e o maior resfriamento durante a noite.
No caso do bambu, foram utilizadas hastes de bambu-gigante com diâmetro de 4 a 5 polegadas (10 a 12 cm). As hastes foram cortadas em pedaços, contendo dois nós, com comprimento de 30 a 40 cm e foram partidas ao meio, ficando com o formato de uma telha fechada dos lados. Cada metade de bambu foi colocada sobre uma planta de café. A cobertura foi feita somente na véspera do resfriamento, seguindo o alerta. A cobertura com metades de bambu-gigante mostrou-se eficiente, com temperatura mínima em torno de 2 graus mais elevada do que nas testemunhas sem nenhuma proteção.
O enterrio com alerta, foi feito de forma total, cobrindo as mudas, com duas enxadadas de terra, na véspera do resfriamento, seguindo o alerta. O enterrio foi a forma de proteção mais efetiva, destaca o pesquisador.
E o enterrio parcial, chegamento de terra junto aos troncos, deixando somente dois pares de folha descobertos. A temperatura foi medida na área coberta.
CustosOs pesquisadores não analisaram ainda o item custos destas técnicas, mas o bambu mostra-se promissor porque, além de poder ser produzido na propriedade, é mais fácil e mais rápido de ser manuseado nas horas que antecedem as quedas de temperatura. O produtor podem deixar preparadas as telhas de bambu ao lado das plantas desde o início do inverno, e depois cobrir as mudas somente na véspera do resfriamento, de forma rápida, comenta Caramori. Já os sacos de papel, ou de plástico tem um custo de aquisição, mas o que é mais caro mesmo é a mão-de-obra para colocá-lo.


