Medidas contra a crise
Medidas anunciadas na quarta-feira pelo secretário-executivo do Ministério da Agricultura, José Amauri Dimarzio, e aprovadas na quinta pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), animaram os produtores. Serão prorrogadas dívidas do Funcafé de R$ 608 milhões.
Outro ponto favorável: liberação de R$ 100 milhões em parcelas para custeio da safra 2003/04 e retirada do mercado - por meio do exercício de contrato de opções - de 1,0 a 1,1 milhão de sacas de café.
Com estas medidas, o governo quer retirar do mercado até 9,5 milhões de sacas no próximo ano e dar sustentação aos preços no mercado internacional, segundo José Amauri Dimarzio. ''Com as medidas, no curto prazo o preço do café deve chegar a US$ 80 por saca de 60 quilos, acima dos atuais US$ 55 por saca'', disse Dimarzio.
Para serem colocadas em práticas as medidas ainda dependem das instruções normativas. As primeiras reações dos produtores - ao tomarem conhecimento através da imprensa ou de sites como o da Web Lance e Bolsa de Londrina (BCML) - foram positivas.
O empresário Alexandre Pompéia, produtor no Norte Pioneiro - que na segunda-feira, ao ser entrevistado pela Folha Rural, reclamou a falta de uma ação rápida para socorrer o setor - sentia-se mais otimista, quarta-feira, ao tomar conhecimento do ''pacote''.
O CMN poderá prorrogar por 18 meses dívidas de estocagem das safras 2000/01 e 2001/02, que chegam a R$ 419 milhões, ou o equivalente a 4 milhões de sacas.
Prazo - Além da prorrogação de dívidas, Dimarzio anunciou também que gastará entre R$ 200 e R$ 240 milhões com o exercício dos contratos de opção de café que vencem neste mês.
Os produtores Alexandre Pompéia, Leonardo Pompéia, Ayres Galina e Gentil Buzetti disseram na segunda-feira que muitos produtores arrancaram o cafezal e arrendaram as terras para usinas plantarem cana.
O custo dos fertilizantes e defensivos chegaram a níveis insuportáveis.
Sem perspectiva de preços, o produtor corta investimentos. Muitos estavam dispostos a deixar de fazer o controle do bicho mineiro e da ferrugem, cuja época de aplicação de fungicida e inseticida começa agora. O tratamento químico custaria R$ 900,00/ha
No caso dos defensivos ainda é possível pechinchar. Mas, com relação aos fertilizantes, fica difícil competir com a soja. As indústrias não reduzem os preços nem dão prazo. Elas estão comemorando uma forte demanda por parte da soja.





