O presidente da Câmara Setorial Nacional da Mandioca a Derivados, João Eduardo Pasquini, explica que o projeto de lei prevê a adição gradativa da mandioca ao trigo importado, totalizando 10% ao final de três anos. ''Se o trigo não for importado, não haverá adição. Não queremos prejudicar nenhuma cadeia produtiva em benefício da nossa'', declara.
Para Lawrence Pih essa medida não fará diferença, pois não há como segregar o trigo importado do nacional. O empresário defende o respeito aos acordos bilaterais com os argentinos, fundamentais para a manutenção do Mercosul.''Se eles têm competitividade por que não podemos comprar trigo deles e continuar vendendo outros produtos com os quais somos competitivos?'', questiona.
''Mais do que reduzir a dependência do trigo importado, o projeto incentivará a agricultura familiar, responsável por 75% da produção nacional de mandioca'', rebate Pasquini. Mais de 1 milhão de pequenos produtores estão envolvidos no cultivo da mandioca no País, em propriedades inferiores a 10 hectares.
Ainda segundo o presidente da câmara setorial, hoje, as fecularias trabalham com apenas 30 a 40% da capacidade total. Os produtores têm mandioca no campo e não podem colher porque não há demanda. ''Com a aprovação da lei, o mercado da fécula dobraria instantâneamente'', analisa.
De acordo com Pasquini, a indústria produz atualmente cerca de 540 mil toneladas de fécula, mas tem condições de processar até 1,3 milhão de toneladas e gerar 100 mil postos de trabalho para toda a cadeia, desde o campo até o comércio. ''Nos últimos 10 anos, o Brasil gastou R$ 17 bilhões com a compra de trigo importado, uma quantia que deixou de ser investida aqui dentro e que gerou empregos em outros países'', assinala.
Segundo o empresário, com a simples adição de 10% de amido de mandioca, as fecularias voltariam a trabalhar com sua capacidade máxima e os moinhos deixariam de importar 6 milhões de toneladas de trigo. (M.G.)

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