O governo do Estado vai pôr em prática um projeto para diminuir o uso indiscriminado de agrotóxico em todo o Paraná. A medida acontece, coincidentemente, depois que a FOLHA denunciou o descontrole no uso de venenos, sem fiscalização por parte do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-Pr). Além da falta de controle no uso do veneno, nos últimos anos os órgãos de governo abandonaram práticas de manejo e controle biológico que levaram muitos anos para serem desenvolvidas.
A proposta prevê a diminuição, nos próximos cinco anos, de 30% das aplicações de veneno. Hoje, a média de aplicações por hectare é 4,74 em lavouras de milho, soja e trigo. Há quase uma década, quando existia o controle biológico, o número era de 2,14 aplicações/ha. ''Nós aumentamos em 56,1% o número de aplicações de lá pra cá. Isso dá mais de 8% ao ano nos últimos sete anos'', afirma Lauro Morales, coordenador do Projeto de Manejo Integrado de Pragas do Paraná (MIP-PR).
''Este projeto tem como objetivo realizar um trabalho mais educativo do que punitivo'', explica Morales. A proposta é mostrar que existem alternativas de controle de pragas e doenças antes de se optar pelo uso dos venenos. Segundo Morales, a iniciativa visa buscar uma convivência com as pragas da lavoura.
Recentemente, segundo Morales, descobriu-se que a soja, o milho e o trigo coexistem nas mesmas áreas de plantio. A partir da constatação de um agrossistema envolvendo as três culturas, definiu-se que a aplicação de veneno deve levar em conta este perfil agroecológico.
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Morales que é entomologista (especialista em pragas) e membro da Academia Brasileira de Ciências, informou que 600 pessoas serão treinadas, entre técnicos agrícolas e engenheiros agronômos. Esses profissionais serão os multiplicadores, encarregados de treinar os agricultores.
A iniciativa tem o apoio de universidades, cooperativas, Embrapa, Iapar, Emater, Ministério da Agricultura, entre outros.

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