Mecanização reduz custos na colheita
Na Usina São Luiz S.A., em Ourinhos (interior de São Paulo, próximo à fronteira com o norte do Paraná), a utilização da colheita mecanizada vem garantindo redução de 20% nos custos dessa etapa do processo produtivo, nas áreas onde as colhedoras são empregadas. Na atual safra, que deve produzir 2 milhões de toneladas de cana em 24 mil hectares (ha), seis máquinas trabalham em 35% da área total.
Setenta por cento do canavial foi sistematizado para se adequar à nova tecnologia, que exige terreno com relevo uniforme e carreadores em linha reta. O importante é garantir condições para que a colhedora trabalhe rapidamente, explicou o engenheiro agrônomo Álvaro Peixoto, responsável pela mecanização.
Segundo ele, cada tonelada de cana colhida mecanicamente custa R$ 4,14. É mais barato que o corte manual, afirmou, sem precisar os custos da outra alternativa. O agronômo também revelou que cada máquina substitui o trabalho de 80 a 100 trabalhadores. Funcionando 16 horas por dia, colhem uma média de 450 a 500 toneladas diárias, informou. As perdas são de 1 a 1,5%, equiparando-se com os índices observados no sistema tracicional.
O empresário Fernando Luiz Quagliato Filho, gerente agrícola da São Luiz, informou que a aquisição de um conjunto para colheita mecânica exige investimentos na ordem de R$1,3 milhões, incluindo uma colhedora, quatro transbordos, dois tratores, dois caminhões, duas carrocerias e duas carretas. O custo é pago em cinco anos, revelou.
Outra vantagem divulgada pela empresa é a maior rapidez no processamento da da cana. Utilizando a colheita manual, o produto leva até 70 horas para entrar na indústria. Pelo sistema mecânico, esse processo é imediato. Segundo Álvaro, a incorporação da palha resultante da colheita mecânica é facilitada, já que o resíduo é distribuído mais uniformemente no solo. Este processo favorece o abandono da prática das queimadas pós-colheita.
Os proprietários da empresa também estão planejando entrar no segmento energético a partir do ano que vem. Atualmente, eles possuem um gerador com capacidade de oito mil quilowatts hora (Kwh). Como o consumo total da usina é de seis Kwh, incluindo indústria, administração e as casas, o excedente de dois mil Kwh deverá ser comercializado. A quantidade é suficiente para abastecer uma cidade de 40 mil habitantes, contou o gerente industrial Carlos Tavian.
Em 2002, a empresa deve adquirir outro gerador que dobrará a produção. Também pretende construir uma subestação que permitirá enviar a energia para uma linha do sistema nacional de abastecimento, viabilizando a venda. (C.A.)
(A jornalista viajou a Ourinhos a convite da fabricante de maquinários Case IH)





