Até 1972, a terra mista de Mauá da Serra (54 km ao sul de Apucarana) respondia bem à adubação pesada para a cultura da batata, principal lavoura daquela época, e ainda sobravam nutrientes para outras culturas, como arroz e milho. Ainda era possível controlar a erosão com terraços de base estreita, muito utilizada no Paraná.
Mas, em 1974, quando a soja passou a ocupar áreas expressivas na região, aquela gente, com espírito empreendedor, não resistiu aos indicativos de rentabilidade sinalizados pela cultura. Só que a soja exigia preparo mecanizado do solo com a utilização de equipamentos pesados. A conclusão era que em duas ou três safras as propriedades não iam resistir à erosão no plantio convencional, que implicava em revolver o solo expondo-o à força da enxurrada.
Produtores como os irmãos Yukimitsu, Cândido e Otávio Uemura, ficaram sabendo das experiências em ''plantio direto'' feitas na Fazenda Vesaroda, em Rolânida, pela multinacional inglesa ICI e pelo agricultor Herbert Bartz, na Fazenda Renânia.
O plantio direto evitava o impacto da erosão. Mas dava muito trabalho. O equipamento ainda estava em fase de pesquisa e o herbicida para controlar as ervas invasoras, o Gramoxone, não chegava a ser totalmente eficaz.
''Num dia inteiro não se plantava mais que três alqueires'', lembram o produtor Hiroshi Kamiguchi, que testemunhou a presença de engenheiros das fábricas em trabalho de campo.
Mas o aprendizado foi evoluindo. Surgiram novos equipamentos a partir da velha Rotacaster RT-80. Para capina química foram lançados os graminicidas pós-emergentes, os herbicidas que controlam a folha larga, etc.
Hoje as máquinas estão mais aperfeiçoadas e os que prosperaram não escondem o orgulho de deixar um solo fértil.
A frase do pioneiro Yukimitsu Uemura, um dos precursores do plantio direto em Mauá da Serra, traduz o sentimento dos agricultores: ''Minha satisfação é a certeza de deixar para os filhos e futuras gerações um solo bem melhor do que aquele que encontrei aqui, quarenta anos atrás''.
Também é de Uemura a mensagem: ''Quem quiser alimentação abundante e prosperidade econômica, tem que produzir com equilíbrio, pensando na sustentabilidade do ambiente''.
Do plantio direto os agricultores evoluíram para outras técnicas de manejo, que vão além do controle da erosão. Fazem rotação de culturas e adubação verde.
O solo, que apresenta alta produtividade, fazia parte de uma área de terra fraca. Segundo a engenheira agrônoma Ana Maria de Moraes, da Emater, os solos naturais de Mauá da Serra - também Marilândia do Sul e Faxinal - são de transição, com muito sedimento, areia e manchas de basalto. E apresentam baixa fertilidade, acidez elevada e toxidez de alumínio. Na década de 50 foram considerados inaptos para cereais e café.

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