Mau tempo causa danos severos em 80 mil hectares de soja no PR
Segundo produtores, replantio da lavoura não propicia qualidade igual à condição anterior
PUBLICAÇÃO
domingo, 23 de novembro de 2025
Segundo produtores, replantio da lavoura não propicia qualidade igual à condição anterior
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

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Levantamento realizado pelo Deral (Departamento de Economia Rural) aponta que 80 mil hectares de soja apresentaram danos severos por conta do mau tempo no Paraná desde o início do mês. O impacto é relativo ao período compreendido entre os dias 1º e 10 de novembro.
Em comparação ao primeiro final de semana de novembro, a extensão das lavouras de soja em situação ruim no estado foi ampliada – no início, 31 mil hectares do grão estavam em condições ruins. No mês passado, esse número era zero.
Entre a primeira e a segunda semana de novembro, a ampliação de áreas de soja duramente prejudicadas foi de quase 160%.
A estimativa do órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento) é que aproximadamente 270 mil hectares tenham sofrido algum tipo de dano em decorrência de chuvas de granizo, vendavais, enxurradas e, em menor escala, do ciclone extratropical que resultou na formação de três tornados.
“Desse total, cerca de 80 mil hectares apresentaram danos severos, e grande parte dessa área deverá ser replantada, o que deve elevar os custos de produção neste ciclo para os produtores atingidos”, destaca Edmar Gervasio, analista do Deral.
De acordo com o técnico, os outros 190 mil hectares afetados devem registrar redução no volume de produção em relação ao inicialmente esperado. “As regiões do Estado com maiores impactos são Campo Mourão, Londrina e Maringá”, destacou.
Com propriedade em Cambé, na Região Metropolitana de Londrina, o produtor rural Fábio Afonso Pinto registrou perda total da soja em 60% da lavoura após as condições climáticas adversas registradas no início deste mês. Dos 250 hectares cultivados em sua propriedade, 150 foram totalmente destruídos – o replantio teve que começar do zero.
“Tenho seguro agrícola em apenas 100 hectares. Não fiz na área total porque ficaria muito caro, ou seja, no restante das áreas não consegui a subvenção do governo federal”, comenta. O agricultor calcula um prejuízo de R$ 1 mil por hectare nas áreas não seguradas.
As áreas totalmente perdidas já começaram a ser replantadas com soja. Segundo o produtor, o replantio deverá ser concluído até 24 de novembro. “O maior problema é que, com o atraso do plantio da soja, vamos sair do zoneamento para a cultura do milho safrinha”, explica.
Em situações normais, entre o final de fevereiro e o início de março do ano seguinte a soja já está colhida e o milho safrinha já foi plantado.
“Não vai compensar eu plantar o milho safrinha porque estou atrasando muito o plantio, diminuiu muito o potencial produtivo do milho e o zoneamento é até 20 de março [prazo para plantar o milho e ter cobertura do seguro agrícola]. Então vou ter que optar por uma cobertura de solo ou por plantar trigo”, conclui.
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ATRASO
Com propriedade em Maringá, norte paranaense, o produtor rural Cleber Veroneze Filho conta que 15% da área plantada de soja foi perdida por conta dos temporais registrados no início do mês. Apesar dessa perda, a soja já foi replantada, mas deve ser colhida com atraso.
“Essa condição afeta a cultura da soja e também o milho safrinha. O replantio não tem a mesma qualidade de um plantio, visto que na lavoura a gente percebe uma maior incidência de doenças de solo. E atrasando a colheita de soja, atrasamos consequentemente o plantio do milho safrinha na sequência”, detalha.
O QUE FAZER
O Sistema Faep orienta alguns procedimentos para que produtores e sindicatos rurais afetados possam acionar as seguradoras e/ou negociar com as instituições financeiras.
Segundo a entidade, os sindicatos devem procurar as prefeituras para informar os danos ocorridos na produção agropecuária em cada município. Caso seja necessário, é importante avaliar em conjunto a necessidade de decreto de situação de emergência.
Também é importante que os sindicatos peçam um relatório dos danos causados pelos temporais em cada município ao Núcleo Regional da Seab (Secretaria de Agricultura do Paraná).
No caso dos agricultores e pecuaristas que têm apólices vigentes de seguro e contratos do Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária), o Sistema Faep orienta acionar imediatamente as seguradoras e instituições financeiras, para que esses agentes façam as devidas vistorias nas propriedades rurais.


