Matéria orgânica qualifica o solo
De acordo com Julio Franchini, a qualidade do plantio direto está diretamente ligada à quantidade de matéria orgânica depositada no solo. Quanto mais matéria orgânica, mais carbono e quanto mais carbono, maior será a retenção de nutrientes. ''O carbono facilita a troca de cátions, reação química responsável pela absorção de cálcio, potássio, magnésio e micronutrientes'', explica.
O solo brasileiro, reforça o pesquisador, é formado por 80% de argila e 12% de matéria orgânica. ''Mesmo em menor quantidade, a matéria orgânica responde por 80% da capacidade de troca'', assinala Franchini.
Segundo ele, além de facilitar a infiltração de água no solo, a matéria orgânica reduz a erosão. ''É importante ressaltar que o ganho em carbono é sentido a longo prazo e que o simples revolvimento do solo durante uma safra aumenta a taxa de decomposição da matéria orgânica, levando por terra esforços de anos'', alerta.
Franchini calcula um ganho de 10 a 20% de carbono por ano com a realização do plantio direto, ''variando o clima e o tipo de solo''. A rotação de culturas é fundamental para a sustentabilidade do sistema. ''Se o produtor faz plantio direto sem rotação, os efeitos são sentidos a partir do quinto ano. Se aposta na rotação com espécies melhoradoras do solo, os resultados aparecem com até dois anos do início do plantio direto'', afirma o pesquisador. (M.G.)





