Vânia Casado
As áreas de florestas nativas e de reflorestamento no Paraná são insuficientes para proteção da fauna e nascentes do Estado. O déficit florestal do Paraná vem sendo enfrentado há três anos, com mudanças na legislação que obriga o empresário a repor a madeira consumida, disse o presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), José Antônio Andreguetto.
Após recuperar parte do equilíbrio entre corte e reposição florestal, o Paraná parte para a recomposição de suas florestas, para ampliar a base florestal, que atualmente corresponde a 8,6% da área total do Estado. Correndo contra o tempo, o Instituto Ambiental do Paraná quer acelerar a recuperação da base florestal nativa e do ritmo do reflorestamento em curso no Estado. Pelo menos mais cinco anos de investimentos e recuperação serão necessários, até que o Estado possa recuperar uma base florestal satisfatória, disse Andreguetto.
A cobertura florestal no Estado atinge 600.000 hectares e a proposta do IAP é ampliar a área para 1 milhão de hectares. Com isso a base florestal deverá evoluir de 8,6% para 15%. Para a cobertura nativa, o IAP pretende resgatar áreas de capoeira e impedir o avanço da degeneração de áreas verdes importantes como Serra do Mar e Parque Nacional do Iguaçu. Outra preocupação é proteger cerca de 50% das nascentes de água no Estado com cobertura nativa, para assegurar a manutenção dos cursos d’água.
A preocupação do IAP é manter estoques adicionais de reflorestamento, para atender o aumento da demanda, disse o diretor do Departamento de Desenvolvimento Florestal, Luiz Carlos Herde. Para se ter uma idéia, o consumo de madeira no Estado atualmente é de 200 árvores por minuto, sendo que 80% equivalem ao consumo do segmento madeireiro e energético. O governo pensa em empreender um amplo programa de reposição florestal e para isso está negociando um empréstimo de US$300 milhões com o governo japones. Os recursos serão aplicados para recuperação de fundos de vale, de áreas degradadas e na recuperação da floresta nativa.
Sem esperar pelo empréstimo externo, o Paraná já vem desenvolvendo programas para estancar o déficit florestal. O presidente do IAP disse que, com pouco dinheiro, mas com organização, o órgão tem conseguido estancar o processo acentuado de déficit florestal. Com base na legislação federal que obriga as empresas a reporem a matéria-prima consumida, o IAP vem executando o Sistema Estadual de Reposição Florestal (Serflor). O IAP monitora o reflorestamento e obriga as empresas a repor a matéria-prima consumida, na mesma proporção do consumo. Com isso, cerca de 120 milhões de árvores devem ser plantadas ainda este ano.

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