Arquivo FolhaMaringá produz apenas 3% de legumes, verduras e frutas que consomeUma pesquisa feita pela Câmara Setorial de Agricultura do Conselho de Desenvolvimento de Maringá (Codem), é o principal argumento utilizado pelo município para a implantação do cinturão verde da cidade. A pesquisa, que levou em conta a comercialização do Ceasa, supermercados e a feira do produtor nos últimos cinco anos, mostrou que apenas 3% das frutas, legumes e verduras consumidas em Maringá são produzidas no município.
O restante, cerca de 134 mil toneladas ao ano, é comprado em outras regiões e até em outros Estados. ‘‘Isso significa que a agricultura maringaense está deixando de ocupar uma fatia de mercado que movimenta R$ 79 milhões por ano, que fica com produtores de outras localidades’’, explica o secretário de Agricultura de Maringá, Jaime Dallagnol.
Outro fator que é levado em consideração para o incentivo ao cinturão verde é o tamanho das propriedades mais próximas da cidade. Um levantamento feito pela secretaria mostra que Maringá possui 1.400 propriedades com até 20 alqueires, boa parte delas tocadas em regime familiar. ‘‘Além disso, temos potencial de solo, de clima e capacidade técnica para sermos auto-suficientes. Pelo menos em boa parte das culturas viáveis em pequenas áreas’’, argumenta Dallagnol.
Abastecimento A pesquisa feita por técnicos do município e Emater, identificou ainda as frutas, verduras e legumes com mercado garantido em Maringá. O resultado será utilizado na implantação do cinturão e, segundo os técnicos, deverá garantir uma estratégia de abastecimento. O projeto começou a ser apresentado esta semana no Distrito de Iguatemi. Outras reuniões estão programadas e a meta da secretaria é de levar as propostas do cinturão às 20 comunidades rurais do município.
Segundo Dallagnol, a idéia é reunir pequenos grupos de produtores, de preferência vizinhos ou conhecidos que atuem em regiões comuns. ‘‘Assim eles ficam mais a vontade para tirar as dúvidas; e os técnicos para explicar melhor as metas do cinturão’’, diz ele. Os técnicos vão mostrar os resultados da pesquisa, esclarecer sobre o funcionamento do programa e medir o interesse dos produtores pelas culturas indicadas. Dependendo da região onde será realizada a reunião, serão apontadas as culturas que podem apresentar o melhor desempenho.
Opções de cultivo Nas áreas de arenito, presente em algumas propriedades do município, os agricultores poderão plantar batata doce, abóbora, abobrinha, tangerina e limão. Na terra roxa, que predomina na área rural de Maringá, será incentivado o pimentão, tomate, banana e as olerícolas. ‘‘Esses são apenas alguns exemplos que vamos mostrar aos produtores’’, diz Dallagnol. O programa vai ainda cadastrar os agricultores interessados em cada cultura, e visitar a propriedade para analisar quais os cultivos que poderão ser implantados.
Por enquanto, segundo o secretário, não existe uma meta de plantio para cada cultura. Mas o programa prevê um acompanhamento na expansão de cada atividade que será incentivada, evitando o risco de superprodução, excesso de oferta e queda nos preços. ‘‘Além do abastecimento, o objetivo do cinturão verde é viabilizar a pequena propriedade’’, diz ele. Hoje, lembra o secretário, os produtores que fazem a diversificação melhoraram a rentabilidade e têm mais segurança para garantir a manutenção da pequena propriedade.
O município, através da Secretaria de Agricultura, e a Emater, darão total apoio aos produtores que optarem pelo programa. Inicialmente serão colocados três técnicos para o atendimento, número que poderá ser ampliado. Além de total acompanhamento, os produtores receberão treinamento através do Senar e outros órgãos ligados à formação de mão-de-obra rural.
Venda direta A comercialização dos produtos será feita inicialmente de forma direta pelos agricultores. A prefeitura, através do Codem, viabilizou a construção de 60 boxes no Ceasa. ‘‘Eles vão chegar lá com o caminhão e terão toda estrutura e apoio da central para fazer a venda direta aos compradores’’, explica Dallagnol. Outra forma de comercialização será a feira do produtor, realizada duas vezes por semana no estacionamento do estádio Willie Davids. A feira será ampliada para atender o crescimento do número de agricultores envolvidos no programa, beneficiando também a comunidade, que deverá pagar preços mais baixos.
Os recursos para viabilizar o cinturão verde serão inicialmente captados de programas já existentes, como o Pronaf. ‘‘Mas vamos a partir do ano que vem buscar novas linhas de crédito para os pequenos produtores’’, adianta Dallagnol. Ele explica que depois de verificado o potencial de produção do município, será mais fácil elaborar projetos para a captação de recursos.
Dois projetos enviados pelo município ao Ministério da Agricultura, que podem ser aprovados a partir do próximo ano, podem viabilizar a irrigação de boa parte das lavouras do cinturão verde. São 100 conjuntos de irrigação e verbas para a perfuração de 20 poços artesianos, que serão utilizados nas culturas mais exigentes. ‘‘A intenção é iniciar um trabalho de longo prazo, que deve começar pequeno para ganhar espaço conforme os produtores sentirem os resultados positivos’’, explica Dallaganol.
Ele diz que a pretensão inicial é garantir uma renda extra ao pequeno produtor e o abastecimento da cidade. Mas, a médio e longo prazo, a idéia é transformar Maringá em um centro de abastecimento para outras regiões. ‘‘O cinturão verde de Londrina, que também começou pequeno, hoje garante o abastecimento de 30% do mercado paranaense’’, compara o secretário.

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