Marco NegriniAmauri Couto diz que a stévia brasileira tem ‘‘um mercado aberto enorme no Exterior’’A Secretaria de Agricultura, Universidade Estadual (UEM) e o Conselho de Desenvolvimento de Maringá querem incentivar a volta do plantio de stévia no município. Técnicos dos três órgãos e da iniciativa privada já começaram a discutir um projeto de incentivo à cultura, que ocupou 750 hectares na região, na década de 80. O projeto, explica o secretário de Agricultura de Maringá, Jaime Dallagnol, pretende incentivar o plantio de stévia em pequenas áreas, dentro do cinturão-verde da cidade. ‘‘Queremos que Maringá volte a ser referência nacional da cultura’’, afirma ele.
Segundo dados de profissionais e empresas ligadas à pesquisa e desenvolvimento da stévia, hoje existe uma necessidade imediata de 300 hectares para atender a demanda das indústrias que trabalham com o adoçante. ‘‘Toda produção brasileira é insuficiente para atender o mercado interno’’, afirma Dallagnol. O consumo de adoçantes à base do steviosídio, extraído da stévia, também é crescente em todo o mundo.
ArquivoIncentivoÉ preciso aumentar a área plantada, para atender a procura pelas folhas de stévia
Mercado garantidoAlém dos países asiáticos, que também produzem stévia, o adoçante tem mercado garantido no Brasil, México e nações que fazem parte do Mercosul. Os Estados Unidos, que impôs barreiras ao adoçante natural, já permite o uso do steviosídio como suplemento em produtos alimentícios. ‘‘O mínimo de espaço aberto pelos Estados Unidos representa um mercado enorme para o produto brasileiro’’, afirma o engenheiro Amauri Couto, que participou na pesquisa e desenvolvimento da cultura na UEM e hoje tem uma indústria que trabalha com produtos à base do adoçante natural.
O empresário Fernando Meneguetti, diretor da Steviafarma, empresa da iniciativa privada que produz o steviosídio em Maringá, explica que a indústria tem uma capacidade instalada para 100 toneladas ao ano. ‘‘Mas falta a folha da planta, que só é cultivada em pequena escala na região’’, lembra.
Produção pequenaEm todo o País a produção de folhas de stévia não chega a 30 toneladas, contra uma necessidade imediata de mil toneladas por ano. Indústrias gaúchas e catarinenses de mate estão procurando a folha de stévia para produzir uma erva adoçada, mas não encontram o produto.
Meneguetti diz que depois de desenvolver uma pesquisa para melhorar o sabor do steviosídio, a Steviafarma busca agora parcerias para incentivar a volta da cultura. ‘‘Nesta primeira fase precisamos de pelo menos 300 hectares de lavouras, para retomar a produção do adoçante’’, afirma. O empresário espera que, até o final do ano, a área cultivada esteja em franca produção. A meta da empresa, segundo ele, é chegar à capacidade plena, de 105 toneladas ao ano. Para isso será necessária uma área de mil hectares de stévia no campo.
Segundo Meneguetti, o cultivo da stévia no cinturão-verde de Maringá é uma das alternativas para a retomada da produção industrial. ‘‘O steviosídio é o único adoçante 100% natural que existe, e o mercado para o produto tem crescido muito nos últimos anos’’, explica. Ele diz que tanto o mercado interno como países com grande potencial de consumo querem comprar o adoçante da stévia, mas não tem produção de folhas, o que impede o fechamento de muitos negócios.

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